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title: "Funções Lineares"
format: html
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```{r}
#| warning: false
#| echo: false
source("../../functions.R")
set.seed(42) # Para reprodutibilidade das simulações
```
Ao projetar sistemas e processos, engenheiros raramente lidam com uma única variável isolada. Componentes são montados em série, tolerâncias se acumulam em eixos, e o custo operacional é frequentemente uma função atrelada ao consumo de energia variável. Para transpor nossas análises de componentes unitários para sistemas integrados, e para compreender futuramente as bases da inferência estatística (Distribuições Amostrais), precisamos entender como o valor esperado e a variância se comportam perante **funções lineares** e **somas** de variáveis aleatórias.
As propriedades estabelecidas neste tópico são universalmente válidas: aplicam-se a variáveis aleatórias discretas e contínuas.
## Funções Lineares de uma Variável Aleatória
Na engenharia, é muito frequente alterar a escala ou a referência de uma medição física. O modelo matemático que traduz essa operação é a função linear $Y = aX + b$, onde $X$ é a variável aleatória original, $a$ é uma constante de escala (mudança de unidade) e $b$ é uma constante de deslocamento (mudança de referência).
::: {.callout-duas-caixas}
::: {.coluna-titulo-dourada}
Propriedades da Função Linear
:::
::: {.coluna-conteudo-dourada}
Seja $X$ uma variável aleatória com valor esperado $E[X]$ e variância $V[X]$. Seja $Y = aX + b$. Então:
**Valor Esperado:** O deslocamento afeta o centro de massa.
$$E[aX + b] = aE[X] + b$$
**Variância:** A dispersão não é afetada por uma constante estática ($b$), mas a mudança de escala inflaciona a variância de forma quadrática.
$$V[aX + b] = a^2 V[X]$$
*Nota:* O desvio padrão acompanha a escala de forma absoluta: $DP[aX + b] = |a| DP[X]$.
:::
:::
::: {.exemplo icon="false"}
#### Exemplo `r dif(1)`
O custo de matéria-prima para a usinagem de um bloco de motor é uma função atrelada ao peso bruto da peça base fundida. O peso bruto ($X$) possui comportamento aleatório devido a inconsistências do molde, com peso médio esperado de $120$ kg e desvio padrão de $3$ kg.
O custo da usinagem ($C$) em Reais é taxado linearmente como uma taxa base da máquina de $R\$ 50.00$, mais $R\$ 15.00$ por quilo processado. Qual o custo esperado para cada peça e o seu desvio padrão?
***
**Solução Analítica:**
Temos a variável $X$ (peso) com
- $E[X]= \mu = 120$
- $DP[X] = \sigma = 3$
- $V[X] = \sigma^2 = 3^2 = 9$.
O custo é definido pela função linear:
$$ C = 15X + 50 $$
Aplicando as propriedades operatórias da esperança para encontrar o custo médio esperado:
$$ E[C] = E[15X + 50] = 15E[X] + 50 = 15(120) + 50 = 1800 + 50 = 1850 $$
O custo esperado por bloco é de R$ 1850.
Calculando a variância e desvio padrão do custo:
$$ V[C] = V[15X + 50] = 15^2 V[X] = 225 \times 9 = 2025 $$
O desvio padrão do custo é $\sqrt{2025} = 45$ Reais (ou de forma mais direta: $|15| \times 3 = 45$).
**Prova Computacional (Simulação de Monte Carlo):**
```{r}
#| warning: false
n_sim <- 100000
pesos_X <- rnorm(n_sim, mean = 120, sd = 3) # Gerando os pesos
custos_C <- 15 * pesos_X + 50
cat(sprintf("Teoria -> Valor Esperado: R$ 1850 | Desvio Padrão: R$ 45\n"))
cat(sprintf(
"Simulação -> Valor Esperado: R$ %.2f | Desvio Padrão: R$ %.2f\n",
mean(custos_C), sd(custos_C)
))
```
:::
## A Soma de Variáveis Aleatórias
A montagem de sistemas em série demanda que analisemos a propagação do comportamento somado de seus componentes. Quando lidamos com duas (ou mais) variáveis aleatórias $X$ e $Y$, a soma combinada obedece às regras axiomáticas abaixo.
::: {.callout-duas-caixas}
::: {.coluna-titulo-dourada}
Propriedades da Soma
:::
::: {.coluna-conteudo-dourada}
Sejam $X_1, X_2, \dots, X_n$ variáveis aleatórias, com soma $Y = X_1 + X_2 + \dots + X_n$.
**Valor Esperado da Soma:** (Válido para *quaisquer* variáveis, independentes ou não)
$$E[X_1 + X_2 + \dots + X_n] = E[X_1] + E[X_2] + \dots + E[X_n]$$
A média da soma é sempre a soma das médias.
**Variância da Soma:** (Válido **apenas se** as variáveis forem *independentes*)
$$V(X_1 + X_2 + \dots + X_n) = V(X_1) + V(X_2) + \dots + V(X_n)$$
A variância se acumula, mas os desvios padrões **não** se somam diretamente
$$DP_{total} = \sigma_{total} = \sqrt{\sigma_1^2 + \sigma_2^2 + \dots + \sigma_n^2}$$
**Variância da Soma:** (Válido **para quaisquer** variáveis, independentes ou não)
$$V(X_1 + X_2 + \dots + X_n) = V(X_1) + V(X_2) + \dots + V(X_n) + 2\sum_{i=1}^n \sum_{j=i+1}^n Cov(X_i, X_j)$$
o termo $Cov(X_i, X_j)$ representa a covariância entre as variáveis $X_i$ e $X_j$. Se as variáveis forem independentes, $Cov(X_i, X_j) = 0$, e a fórmula se reduz à primeira fórmula apresentada. Em geral, a covariância é expressa por $Cov(X_i, X_j) = E[(X_i - E[X_i])(X_j - E[X_j])]$.
:::
:::
::: {.exemplo icon="false"}
#### Exemplo `r dif(2)`
Uma fabricante de baterias elétricas para drones acopla duas células independentes em série para obter o pacote final de propulsão.
A voltagem da Célula 1 ($X_1$) segue uma distribuição contínua com média de $3.70$ e variância de $0.04$.
A voltagem da Célula 2 ($X_2$) provém de outro lote, tendo média de $3.75$ e variância de $0.05$.
Qual a voltagem média total e o desvio padrão final do pacote montado?
***
**Solução Analítica:**
A voltagem final é a soma linear $Y = X_1 + X_2$.
O valor esperado é puramente aditivo:
$$ E[Y] = E[X_1] + E[X_2] = 3.70 + 3.75 = 7.45$$
Ou seja, em média, o pacote de bateria fornecerá 7.45V. Note que esse resultado é exato e não depende da correlação entre as células.
Como as células operam e falham de maneira estritamente autônoma (são independentes), as variâncias se combinam de forma aditiva:
$$ V[Y] = V[X_1] + V[X_2] = 0.04 + 0.05 = 0.09$$
O desvio padrão final do pacote é a raiz da variância somada:
$$ DP[Y] = \sqrt{0.09} = 0.30$$
Ou seja, em média, a voltagem total irá variar em 0.30V para mais ou para menos.
**Prova Computacional:**
```{r}
#| warning: false
n_sim <- 100000
v1 <- rnorm(n_sim, mean = 3.70, sd = sqrt(0.04))
v2 <- rnorm(n_sim, mean = 3.75, sd = sqrt(0.05))
y_total <- v1 + v2
cat(sprintf("Teoria -> Esperança: 7.45 V | Desvio Padrão: 0.30 V\n"))
cat(sprintf(
"Simulação -> Esperança: %.2f V | Desvio Padrão: %.2f V\n",
mean(y_total), sd(y_total)
))
```
:::
## Combinações Lineares de Variáveis Normais
Uma propriedade de ouro e raríssima entre as famílias de distribuições de probabilidade é a capacidade de reter sua identidade analítica após a adição. A Distribuição Normal é abençoada com este atributo.
::: {.callout-duas-caixas}
::: {.coluna-titulo-dourada}
Conservação do Formato Normal
:::
::: {.coluna-conteudo-dourada}
Sejam $X_1, X_2, \dots, X_n$ variáveis aleatórias que seguem distribuições independentes Estritamente Normais.
Qualquer combinação linear dessas variáveis ($Y = c_1X_1 + c_2X_2 + \dots + c_nX_n$) manterá exata e estritamente o formato de uma **Distribuição Normal**, ou seja, $Y \sim N(\mu_Y, \sigma^2_Y)$.
A combinação da incerteza não distorce as caudas nem achata o sino; ela simplesmente re-escala e desloca o centro, garantindo a utilização livre da padronização $Z$ em qualquer etapa da montagem final.
:::
:::
::: {.exemplo icon="false"}
#### Exemplo `r dif(3)`
O tempo total de percurso ($T$) de um veículo não-tripulado para explorar dois galpões paralelos é a soma de duas tarefas: navegar o corredor $A$ ($X_1$) e o corredor $B$ ($X_2$). Sabe-se empiricamente que o comportamento das esteiras confere uma natureza normal a ambos os tempos, tal que $X_1 \sim N(\mu_1 = 12, \sigma_1 = 1.5)$ e $X_2 \sim N(\mu_2 = 15, \sigma_2 = 2.0)$ em minutos.
Qual é a probabilidade do veículo autônomo concluir a missão total em menos de $30$ minutos?
***
**Solução Analítica:**
Como $X_1$ e $X_2$ são independentes e normalmente distribuídas, o tempo da missão $T = X_1 + X_2$ será inevitavelmente estruturado como uma curva normal $T \sim N(\mu_T, \sigma^2_T)$.
1. $E[T] = E[X_1] + E[X_2] = 12 + 15 = 27$ minutos.
2. $V(T) = V(X_1) + V(X_2) = 1.5^2 + 2.0^2 = 2.25 + 4.0 = 6.25$ minutos².
3. O desvio padrão combinado é $\sigma_T = \sqrt{6.25} = 2.5$ minutos.
O problema requer $P(T < 30)$. Com $T \sim N(\mu = 27, \sigma = 2.5)$, usamos a variável padronizada $Z$:
$$ Z = \frac{30 - 27}{2.5} = \frac{3}{2.5} = 1.2 $$
Assim, procuramos $P(Z < 1.2)$, usando o software estatístico ou a tabela da normal padrão, $\Phi(z=1.2) \approx 0.8849$
$$ P(T < 30) = P(Z < 1.2) \approx 0.8849 $$
A probabilidade de retorno em segurança no tempo estipulado é $\approx 88.5\%$.
**Prova Computacional:**
```{r}
#| warning: false
n_sim <- 100000
x1 <- rnorm(n_sim, mean = 12, sd = 1.5)
x2 <- rnorm(n_sim, mean = 15, sd = 2.0)
t_total <- x1 + x2
prob_analitica <- pnorm(1.2)
prob_simulada <- mean(t_total < 30)
cat(sprintf("Teoria: %.4f | Simulação: %.4f\n", prob_analitica, prob_simulada))
```
:::
::: {.exemplo icon="false"}
#### Exemplo `r dif(3)`
Em uma linha de montagem automatizada de placas de circuito impresso (PCBs), a qualidade da soldagem automatizada é monitorada através de dois indicadores discretos de erro por placa: o número de componentes com desalinhamento mecânico severo ($X \in \{0, 1, 2\}$) e o número de conexões com solda fria ou defeituosa ($Y \in \{0, 1, 2\}$). Devido ao comportamento térmico e posicional do processo, essas duas variáveis apresentam dependência estatística.
A função de probabilidade conjunta bivariada $p_{X,Y}(x,y) = P(X=x, Y=y)$ é dada pela tabela a seguir:
| $p_{X,Y}(x, y)$ | $Y = 0$ | $Y = 1$ | $Y = 2$ |
| :---: | :---: | :---: | :---: |
| **$X = 0$** | 0.45 | 0.10 | 0.02 |
| **$X = 1$** | 0.15 | 0.12 | 0.03 |
| **$X = 2$** | 0.05 | 0.03 | 0.05 |
Com base nesse cenário de controle de processos, determine:
a) A probabilidade de a placa apresentar pelo menos uma falha de alinhamento e pelo menos uma falha de soldagem ($P(X \ge 1, Y \ge 1)$).
b) A probabilidade condicional de a placa apresentar exatamente duas falhas de desalinhamento ($X=2$), dado que foi detectada exatamente uma falha de soldagem ($Y=1$).
c) O valor esperado condicional do número de desalinhamentos ($X$), dado que a placa possui uma falha de soldagem ($E[X \mid Y=1]$).
d) A covariância $Cov(X,Y)$ e o coeficiente de correlação linear $\rho_{XY}$ entre as duas grandezas.
e) A função de probabilidade da variável aleatória soma $S = X + Y$ (total de defeitos combinados na placa) e o seu valor esperado $E[S]$ e a variância $V(S)$.
***
**Solução Analítica:**
**a) Cálculo da Probabilidade Conjunta:**
O evento "pelo menos uma falha de alinhamento ($X \ge 1$) e pelo menos uma falha de soldagem ($Y \ge 1$)" corresponde aos pares $(x,y)$ em que $x \in \{1, 2\}$ e $y \in \{1, 2\}$. Somando os valores correspondentes da tabela conjunta:
$$P(X \ge 1, Y \ge 1) = p_{X,Y}(1,1) + p_{X,Y}(1,2) + p_{X,Y}(2,1) + p_{X,Y}(2,2)$$
$$P(X \ge 1, Y \ge 1) = 0.12 + 0.03 + 0.03 + 0.05 = 0.23$$
Há $23\%$ de chance de uma placa apresentar simultaneamente ambos os tipos de defeitos.
**b) Cálculo da Probabilidade Condicional:**
Pela definição de probabilidade condicional:
$$P(X = 2 \mid Y = 1) = \frac{P(X=2, Y=1)}{P(Y=1)}$$
Primeiro, determinamos a probabilidade marginal de $Y=1$ somando a respectiva linha da tabela:
$$p_Y(1) = \sum_{x=0}^{2} p_{X,Y}(x,1) = 0.10 + 0.12 + 0.03 = 0.25$$
Portanto:
$$P(X = 2 \mid Y = 1) = \frac{0.03}{0.25} = 0.12$$
A probabilidade condicional de ocorrerem dois desalinhamentos sob a condição de haver uma falha de solda é de $12\%$.
**c) Cálculo do Valor Esperado Condicional:**
Para calcular $E[X \mid Y=1]$, determinamos primeiro a distribuição de probabilidade condicional de $X$ dado $Y=1$:
- $P(X=0 \mid Y=1) = \frac{p_{X,Y}(0,1)}{p_Y(1)} = \frac{0.10}{0.25} = 0.40$
- $P(X=1 \mid Y=1) = \frac{p_{X,Y}(1,1)}{p_Y(1)} = \frac{0.12}{0.25} = 0.48$
- $P(X=2 \mid Y=1) = \frac{p_{X,Y}(2,1)}{p_Y(1)} = \frac{0.03}{0.25} = 0.12$
Aplicando a definição de esperança matemática:
$$E[X \mid Y=1] = \sum_{x=0}^{2} x \cdot P(X=x \mid Y=1)$$
$$E[X \mid Y=1] = 0 \cdot (0.40) + 1 \cdot (0.48) + 2 \cdot (0.12) = 0.48 + 0.24 = 0.72 \text{ desalinhamentos}$$
**d) Cálculo da Covariância e da Correlação:**
Para a covariância e a correlação, precisamos das médias (valores esperados) e variâncias marginais.
1. **Distribuições Marginais:**
- Para $X$:
- $p_X(0) = 0.45 + 0.10 + 0.02 = 0.57$
- $p_X(1) = 0.15 + 0.12 + 0.03 = 0.30$
- $p_X(2) = 0.05 + 0.03 + 0.05 = 0.13$
- Para $Y$:
- $p_Y(0) = 0.45 + 0.15 + 0.05 = 0.65$
- $p_Y(1) = 0.10 + 0.12 + 0.03 = 0.25$
- $p_Y(2) = 0.02 + 0.03 + 0.05 = 0.10$
2. **Valores Esperados Marginais:**
$$\mu_X = E[X] = 0 \cdot (0.57) + 1 \cdot (0.30) + 2 \cdot (0.13) = 0.56$$
$$\mu_Y = E[Y] = 0 \cdot (0.65) + 1 \cdot (0.25) + 2 \cdot (0.10) = 0.45$$
3. **Segundo Momento e Variâncias Marginais:**
$$E[X^2] = 0^2 \cdot (0.57) + 1^2 \cdot (0.30) + 2^2 \cdot (0.13) = 0.82$$
$$Var(X) = E[X^2] - (E[X])^2 = 0.82 - (0.56)^2 = 0.82 - 0.3136 = 0.5064$$
$$\sigma_X = \sqrt{0.5064} \approx 0.7116$$
$$E[Y^2] = 0^2 \cdot (0.65) + 1^2 \cdot (0.25) + 2^2 \cdot (0.10) = 0.65$$
$$Var(Y) = E[Y^2] - (E[Y])^2 = 0.65 - (0.45)^2 = 0.65 - 0.2025 = 0.4475$$
$$\sigma_Y = \sqrt{0.4475} \approx 0.6690$$
4. **Valor Esperado do Produto $E[XY]$:**
$$E[XY] = \sum_{x} \sum_{y} x \cdot y \cdot p_{X,Y}(x,y)$$
Como os termos contendo $x=0$ ou $y=0$ são nulos, calculamos apenas para $x,y \ge 1$:
$$E[XY] = (1 \cdot 1 \cdot p_{X,Y}(1,1)) + (1 \cdot 2 \cdot p_{X,Y}(1,2)) + (2 \cdot 1 \cdot p_{X,Y}(2,1)) + (2 \cdot 2 \cdot p_{X,Y}(2,2))$$
$$E[XY] = (1 \cdot 0.12) + (2 \cdot 0.03) + (2 \cdot 0.03) + (4 \cdot 0.05) = 0.12 + 0.06 + 0.06 + 0.20 = 0.44$$
5. **Covariância:**
$$Cov(X,Y) = E[XY] - E[X]E[Y] = 0.44 - (0.56 \cdot 0.45) = 0.44 - 0.252 = 0.1880$$
Como a covariância é positiva ($0.1880$), há uma tendência de que o aumento do desalinhamento de componentes esteja associado a um maior número de soldas defeituosas.
6. **Coeficiente de Correlação Linear:**
$$\rho_{XY} = \frac{Cov(X,Y)}{\sigma_X \sigma_Y} = \frac{0.1880}{0.7116 \cdot 0.6690} \approx 0.3949$$
A relação linear positiva entre desalinhamentos e soldas frias tem força moderada ($\approx 0.3949$).
**e) Soma das Variáveis Aleatórias:**
A variável $S = X + Y$ representa a quantidade total de defeitos na PCB. O suporte de $S$ é $\{0, 1, 2, 3, 4\}$. Mapeamos a função de probabilidade $P(S=s)$ acumulando todas as probabilidades conjuntas que resultam em cada soma $s$:
- $P(S=0) = P(X=0, Y=0) = 0.45$
- $P(S=1) = P(X=1, Y=0) + P(X=0, Y=1) = 0.15 + 0.10 = 0.25$
- $P(S=2) = P(X=2, Y=0) + P(X=1, Y=1) + P(X=0, Y=2) = 0.05 + 0.12 + 0.02 = 0.19$
- $P(S=3) = P(X=2, Y=1) + P(X=1, Y=2) = 0.03 + 0.03 = 0.06$
- $P(S=4) = P(X=2, Y=2) = 0.05$
Portanto, a distribuição de $S$ é dada por:
| $s$ | $0$ | $1$ | $2$ | $3$ | $4$ |
| :---: | :---: | :---: | :---: | :---: | :---: |
| **$P(S=s)$** | 0.45 | 0.25 | 0.19 | 0.06 | 0.05 |
A soma das probabilidades é $0.45 + 0.25 + 0.19 + 0.06 + 0.05 = 1.00$.
O valor esperado de $S$ pode ser obtido diretamente a partir de sua distribuição ou pela propriedade da linearidade do valor esperado ($E[X+Y] = E[X] + E[Y]$):
$$E[S] = E[X] + E[Y] = 0.56 + 0.45 = 1.01 \text{ defeitos por placa}$$
Calculando diretamente para fins de verificação:
$$E[S] = 0 \cdot (0.45) + 1 \cdot (0.25) + 2 \cdot (0.19) + 3 \cdot (0.06) + 4 \cdot (0.05)$$
$$E[S] = 0 + 0.25 + 0.38 + 0.18 + 0.20 = 1.01 \text{ defeitos}$$
A variância de $S$ pode ser obtido diretamente a partir de sua distribuição ou pela propriedade da linearidade:
$$V(S) = V(X+Y) = V(X) + V(Y) + 2Cov(X,Y)$$
$$V(S) = 0.5064 + 0.4475 + 2 \cdot (0.1880) = 0.9539 + 0.3760 = 1.3299$$
que é igual se calcularmos pela distribuição de $S$:
$$V(S) = 0^2 \cdot (0.45) + 1^2 \cdot (0.25) + 2^2 \cdot (0.19) + 3^2 \cdot (0.06) + 4^2 \cdot (0.05) - (1.01)^2$$
$$V(S) = 0 + 0.25 + 0.76 + 0.54 + 0.80 - 1.0201 = 1.3299$$
***
**Prova Computacional (R):**
```{r}
#| warning: false
#| results: hold
# 1. Definir a matriz de probabilidade conjunta (linhas representam Y, colunas representam X)
P <- matrix(c(
0.45, 0.15, 0.05, # Y = 0
0.10, 0.12, 0.03, # Y = 1
0.02, 0.03, 0.05 # Y = 2
), nrow = 3, ncol = 3, byrow = TRUE)
# Vetores auxiliares de valores das variáveis
X_vals <- c(0, 1, 2)
Y_vals <- c(0, 1, 2)
# Distribuições marginais
P_X <- colSums(P)
P_Y <- rowSums(P)
# a) P(X >= 1, Y >= 1)
prob_conj <- sum(P[2:3, 2:3])
# b) P(X = 2 | Y = 1)
prob_cond <- P[2, 3] / P_Y[2]
# c) E[X | Y = 1]
P_X_given_Y1 <- P[2, ] / P_Y[2]
E_X_given_Y1 <- sum(X_vals * P_X_given_Y1)
# d) Covariância e Correlação
E_X <- sum(X_vals * P_X)
E_Y <- sum(Y_vals * P_Y)
Var_X <- sum((X_vals - E_X)^2 * P_X)
Var_Y <- sum((Y_vals - E_Y)^2 * P_Y)
E_XY <- sum(outer(Y_vals, X_vals, "*") * P)
Cov_XY <- E_XY - E_X * E_Y
Corr_XY <- Cov_XY / (sqrt(Var_X) * sqrt(Var_Y))
# e) Distribuição da soma S = X + Y
P_S <- numeric(5)
for (i in 1:3) {
for (j in 1:3) {
s <- X_vals[j] + Y_vals[i]
P_S[s + 1] <- P_S[s + 1] + P[i, j]
}
}
E_S <- sum(0:4 * P_S)
V_S <- sum((0:4 - E_S)^2 * P_S)
# Exibir resultados analíticos exatos calculados via R
cat("--- Resultados Analíticos via R ---\n")
cat(sprintf("P(X >= 1, Y >= 1): %.4f\n", prob_conj))
cat(sprintf("P(X = 2 | Y = 1): %.4f\n", prob_cond))
cat(sprintf("E[X | Y = 1]: %.4f\n", E_X_given_Y1))
cat(sprintf("Cov(X, Y): %.4f\n", Cov_XY))
cat(sprintf("Corr(X, Y): %.4f\n", Corr_XY))
cat(sprintf("E[S]: %.4f\n", E_S))
cat(sprintf("V(S): %.4f\n\n", V_S))
# --- Simulação de Monte Carlo ---
set.seed(42)
N <- 100000
# Vetorizar a matriz em ordem de linha
joint_probs_vector <- as.vector(t(P))
sampled_indices <- sample(1:9, size = N, replace = TRUE, prob = joint_probs_vector)
# Extrair os valores correspondentes de X e Y
X_sampled <- (sampled_indices - 1) %% 3
Y_sampled <- (sampled_indices - 1) %/% 3
# Resultados simulados
sim_prob_conj <- mean(X_sampled >= 1 & Y_sampled >= 1)
sim_prob_cond <- mean(X_sampled[Y_sampled == 1] == 2)
sim_E_X_given_Y1 <- mean(X_sampled[Y_sampled == 1])
sim_cov <- cov(X_sampled, Y_sampled) * (N - 1) / N # Covariância populacional
sim_corr <- cor(X_sampled, Y_sampled)
sim_E_S <- mean(X_sampled + Y_sampled)
cat("--- Resultados da Simulação (Monte Carlo) ---\n")
cat(sprintf("Sim P(X >= 1, Y >= 1): %.4f\n", sim_prob_conj))
cat(sprintf("Sim P(X = 2 | Y = 1): %.4f\n", sim_prob_cond))
cat(sprintf("Sim E[X | Y = 1]: %.4f\n", sim_E_X_given_Y1))
cat(sprintf("Sim Cov(X, Y): %.4f\n", sim_cov))
cat(sprintf("Sim Corr(X, Y): %.4f\n", sim_corr))
cat(sprintf("Sim E[S]: %.4f\n", sim_E_S))
```
:::