11  Distribuição Amostral

A distribuição das estatísticas amostrais representa a população de todas as possíveis estatísticas oriundas de uma amostra de tamanho \(n\) de variável aleatória.

A convergência em forma de distribuição e dos parâmetros dessa distribuição amostral são elucidadas pela Lei dos Grandes Números e pelo Teorema Central do Limite.

De acordo com a teoria e pelas simulações conseguimos verificar que a distribuição de algumas estatísticas amostrais, como a média amostral, resulta em uma distribuição na forma de uma normal.

Vamos analisar a distriuição amostral de algumas estatísticas, como a soma amostral (\(S_n\)), média amostral (\(\bar{X}\)), proporção amostral (\(\hat{P}\)) e variância amostral (\(S^2\)), além de outras distribuições derivadas.

Mas o que de fato significa distribuição amostral? Significa dizer que os resultados das estatísticas amostrais variam de amostra para amostra. Ou seja, em uma amostra de tamanho \(n\) poderíamos ter um resultado e em outra amostra, de mesmo tamanho \(n\), poderíamos ter outro resultado. A distribuição amostral de uma estatística amostral é a distribuição de todas as possíveis estatísticas amostrais de uma amostra de tamanho \(n\) de variável aleatória.

Distribuição Amostral

Definição: A distribuição amostral de uma estatística amostral é a distribuição de todas as possíveis estatísticas amostrais de uma amostra de tamanho \(n\) de variável aleatória.

11.1 A Soma Amostral (\(S_n\))

A distribuição da soma amostral é a distribuição de probabilidade obtida pela soma dos valores de todas as amostras possíveis de mesmo tamanho retiradas de uma mesma população. Se as variáveis são independentes, sua média é \(n\mu\) e sua variância é \(n\sigma^2\), convergindo para uma distribuição normal para \(n\) grande.

O comportamento da distribuição da soma amostral depende da natureza da população do qual a amostra é retirada e do tamanho da amostra (\(n\)).

  • População Normal: Se a variável aleatória da população da qual é retirada a amostra tem uma distribuição normal, a soma amostral também terá distribuição normal, independentemente do tamanho da amostra \(n\).
  • População Qualquer e Amostra Grande (\(n \geq 50\)): Pelo Teorema do Limite Central, mesmo que a variável aleatória da população não seja normal, à medida que o tamanho da amostra aumenta, a distribuição da soma amostral se aproxima de uma distribuição normal.
  • Amostra Pequena e População Não-Normal: A distribuição da soma amostral dependerá da distribuição original da variável aleatória da população.

Propriedades da Soma Amostral

Propriedades: Assumindo que a amostra é i.i.d. (idêntica e independentemente distribuída)

\[ S_n = \sum_{i=1}^{n} X_i = X_1 + X_2 + \dots + X_n \]

Valor Esperado:

\[E[S_n] = E[X_1 + X_2 + \dots + X_n] = E[X_1] + E[X_2] + \dots + E[X_n] = n\mu\]

Variância:

\[V(S_n) = V(X_1 + X_2 + \dots + X_n) = V(X_1) + V(X_2) + \dots + V(X_n) = n\sigma^2\]

Distribuição: Converge para uma distribuição normal para \(n\) grande. Para outras distribuições, \(S_n\) pode tender a outras distribuições, como a distribuição gama, entre outras.

Exemplo11.1.0.1 Exemplo: Soma de Variáveis Exponenciais

Imagine que o tempo de vida de um componente eletrônico segue uma distribuição exponencial com parâmetro de taxa \(\lambda = 0.1\) (média \(\mu = 10\) horas). Vamos analisar o comportamento da soma de 3 componentes em série.

  • População: \(X \sim \text{Exponencial}(\lambda = 0.1)\)
  • Média Populacional: \(\mu = 10\)
  • Variância Populacional: \(\sigma^2 = 100\)
  • Tamanho da Amostra (\(n\)): 3
  • Soma: \(S_3 = X_1 + X_2 + X_3\)

Como a amostra é pequena e a população não é normal, esperamos uma distribuição assimétrica (Gama). A forma da distribuição da soma de variáveis exponenciais é a distribuição gama com parâmetro de forma \(k=n\) e parâmetro de taxa \(\lambda\), isso é determinado utilizando a convolução das distribuições. Vamos simular isso, empiricamente e apresentar os resultados em forma de histograma e a função teórica, uma Gama(3,1):

11.2 A Média Amostral (\(\bar{X}\))

Uma ponte fundamental para as engenharias estatísticas subsequentes é estudar como a média de múltiplas medições independentes reage aos ruídos. Se tivermos uma série de medições \(X_1, X_2, \dots, X_n\), onde todas partilham a mesma distribuição populacional (mesma média \(\mu\) e variância \(\sigma^2\)), chamamos essas variáveis de idêntica e independentemente distribuídas (i.i.d.).

A Média Amostral (\(\bar{X}\)) é simplesmente uma operação matemática linear, sendo a soma dividida por uma constante estrutural (\(1/n\)):

\[ \bar{X} = \frac{X_1 + X_2 + \dots + X_n}{n} \]

Propriedades da Média Amostral

Com base nas propriedades que acabamos de estudar, vejamos o comportamento estrutural de \(\bar{X}\):

Valor Esperado: A média das amostras visa puramente replicar o centro populacional alvo.

\[ E[\bar{X}] = E\left[ \frac{1}{n} \sum X_i \right] = \frac{1}{n} \left( E[X_1] + \dots + E[X_n] \right) = \frac{1}{n}(n \mu) = \mu \]

Variância: Este é o ponto vital: A constante multiplicativa \(1/n\) sai da fórmula da variância inflada ao quadrado (\(1/n^2\)), operando contra a soma das \(n\) variâncias populacionais. O resultado é o aniquilamento do ruído.

\[ Var(\bar{X}) = Var\left( \frac{1}{n} \sum X_i \right) = \frac{1}{n^2} \left( Var(X_1) + \dots + Var(X_n) \right) = \frac{1}{n^2}(n \sigma^2) = \frac{\sigma^2}{n} \]

O resultado contundente provado matematicamente é que o desvio padrão em torno de uma média investigativa diminui como \(\frac{\sigma}{\sqrt{n}}\). Ao obtermos a média amostral de \(4\) peças aleatórias ao invés de verificar o defeito numa medição individual de uma só peça, cortamos a incerteza estatística global do experimento rigorosamente pela metade.

Este comportamento axiomático – o amortecimento da variabilidade através do tamanho da amostra – alicerça o conceito das Distribuições Amostrais, tema central do próximo tópico deste módulo.