5  Modelos Teóricos Discretos

Os fundamentos probabilísticos nos permitem observar qualquer fenômeno isolado. No entanto, na engenharia e na estatística moderna, muitos fenômenos de massa exibem comportamentos padrão que obedecem a famílias específicas de distribuições de probabilidade. Nesta seção estudaremos os modelos matemáticos para as distribuições de probabilidade discretas mais comuns.

Para a construção civil de uma barragem, utiliza-se concreto usinado de alta performance. Sabe-se empiricamente que 0.1% das amostras falham nos testes de integridade estrutural em laboratório na primeira hora.

Se a empresa lançar 20 lotes diários independentes, qual a probabilidade de identificar exatamente dois lotes falhos no mesmo dia na obra?

Ao invés de calcularmos a probabilidade de cada evento individualmente e somarmos, podemos utilizar modelos teóricos que nos fornecem a probabilidade de cada resultado de interesse diretamente. Para isso recorremos a um modelo matemático que nos permite calcular diretamente as probabilidades de valores de uma variável aleatória.

1 Os modelos

Em muitas situações, os fenômenos aleatórios exibem comportamentos padrão que obedecem a famílias específicas de distribuições de probabilidade. Nesta seção estudaremos os modelos matemáticos para as distribuições de probabilidade discretas mais comuns.

1.1 O Ensaio de Bernoulli

Um Ensaio de Bernoulli é o bloco fundamental da probabilidade discreta aplicada: um evento de sucesso \(P(S)=p\), ou falha \(P(F)=1-p\), para uma única tentativa empírica (\(n=1\)).

Os requisitos para que um experimento seja considerado um ensaio de Bernoulli são:

  1. Um experimento/ensaio de Bernoulli tem somente dois resultados aleatórios possíveis: sucesso ou fracasso.
  2. A probabilidade de sucesso (\(p\)) é constante entre as tentativas.
  3. As tentativas são independentes, de forma que o resultado de qualquer tentativa particular não influencia o resultado de qualquer outra tentativa.

Se nomearmos a variável aleatória \(X\) como o número de sucessos em um ensaio de Bernoulli, então \(X\) pode assumir os valores de \(x\) como sendo 0 ou 1. Assim, nenhum sucesso representa \(x=0\) e um sucesso representa \(x=1\).

\[ P(X=x) = p_X(x) = \begin{cases} p & \text{se } x = 1 \\ 1-p & \text{se } x = 0 \end{cases} \]

É aqui que entra a modelagem matemática. Ao invés de usarmos uma função composta para cada resultado, podemos escrever um modelo matemático que se aplica a qualquer um desses valores de \(x\).

Assim surge o primeiro modelo matemático para uma variável aleatória discreta. O modelo de Bernoulli.

\[ \begin{aligned} P(X=x) &= p^x(1-p)^{1-x}, \quad x = 0, 1 \end{aligned} \]

Note que:

\[ \begin{aligned} P(X=0) &= p^0(1-p)^{1-0} \\ &= 1 \cdot (1-p) \\ &= 1-p \end{aligned} \]

e

\[ \begin{aligned} P(X=1) &= p^1(1-p)^{1-1} \\ &= p \cdot (1-p)^0 \\ &= p \end{aligned} \]

Observe que para esse modelo que descreve as probabilidades de uma variável aleatória de Bernoulli, podemos calcular o valor esperado e a variância da seguinte forma:

\[ \begin{aligned} E[X] &= \sum_x{x\cdot p_X(x)} \\ &= 0\cdot(1-p) + 1\cdot p \\ &= p \end{aligned} \]

\[ \begin{aligned} Var[X] &= \sum_x{(x-\mu)^2\cdot p_X(x)} \\ &= (0-p)^2\cdot(1-p) + (1-p)^2\cdot p \\ &= p(1-p) \end{aligned} \]

Isso implica que sabendo o valor de \(p\) é possível calcular o valor esperado e a variância de uma variável aleatória de Bernoulli, além de sua distribuição de probabilidade.

Vamos aplicar a mesma ideia e metodologia para as distribuições de probabilidade discretas mais comuns, formalizando as premissas de cada modelo, a variável aleatória generalizada, a função massa de probabilidade, o valor esperado e a variância.

Quando associamos uma variável aleatória a um modelo de probabilidade, estamos dizendo que a variável aleatória segue uma distribuição de probabilidade, e a notação para isso é \(X \sim\) Modelo(parâmetros).

2 Distribuição de Bernoulli

Existem diversos experimentos que satisfazem as premissas do modelo de Bernoulli. Vamos agora formalizar o modelo de Bernoulli.

Modelo de Bernoulli

Notação:

\(X \sim Ber(p)\)

Premissas do modelo

  1. Um experimento/ensaio de Bernoulli tem somente dois resultados aleatórios possíveis: sucesso (S) ou fracasso (F).
  2. A probabilidade de sucesso (\(p\)) é constante entre as tentativas.
  3. As tentativas são independentes, de forma que o resultado de qualquer tentativa particular não influencia o resultado de qualquer outra tentativa.

Variável aleatória generalizada

\(X\) = “Número de sucesso em uma única tentativa

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\[p_X(x)= p^x(1-p)^{1-x}\]

Valor Esperado e Variância

Valor Esperado:

\[E[X] = p\]

Variância:

\[Var[X] = p(1-p)\]

3 Distribuição Binomial

Um experimento com apenas dois resultados possíveis é usado com tanta frequência como elemento básico de um experimento aleatório que é chamado de ensaio de Bernoulli. Geralmente, assume-se que os ensaios que constituem o experimento aleatório são independentes. Isso implica que o resultado de um ensaio não tem efeito sobre o resultado a ser obtido em qualquer outro ensaio. Além disso, muitas vezes é razoável assumir que a probabilidade de sucesso em cada ensaio é constante.

A distribuição binomial é uma generalização do modelo de Bernoulli para \(n\) tentativas.

Modelo Binomial

Notação:

\(X \sim Bin(n, p)\)

Premissas do modelo:

  1. Sequencia de \(n\) tentativas de um experimento de Bernoulli (sucesso (S) ou fracasso (F)), onde \(n\) é estabelecido antes do experimento;
  2. Probabilidade de sucesso (\(p\)) constante entre as tentativas;
  3. Tentativas independentes, de forma que o resultado de qualquer tentativa particular não influencia o resultado de qualquer outra tentativa.

Variável aleatória generalizada:

\(X\) = “Número de sucesso em \(n\) tentativas independentes

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\[p_X(x)= \binom{n}{x}p^x(1-p)^{n-x}\]

onde \(\binom{n}{x} = \frac{n!}{x!(n-x)!}\) é o coeficiente binomial, \(n\) é o número de tentativas e \(x\) é o número de sucessos.

Valor Esperado e Variância

Valor Esperado:

\[E[X] = np\]

Variância:

\[Var[X] = np(1-p)\]

A figura abaixo mostra a distribuição de probabilidade binomial com \(n=4\) e \(p=0.5\).

Figura 1: Distribuição de probabilidade binomial com \(n=4\) e \(p=0.5\)
Exemplo3.0.1 Exemplo Dificuldade:

Uma moeda é lançada sucessiva e independentemente \(4\) vezes. Calcule a probabilidade de obter exatamente \(3\) caras. Assuma que a moeda não é viciada.


Solução:

Podemos modelar esse experimento utilizando o modelo Binomial, uma vez que:

  1. O experimento consiste em uma sequência de \(n=4\) tentativas de um experimento de Bernoulli (sucesso (S) ou fracasso (F)), onde \(n\) é estabelecido antes do experimento;
  2. A probabilidade de sucesso (\(p\)) é constante entre as tentativas;
  3. As tentativas são independentes, de forma que o resultado de qualquer tentativa particular não influencia o resultado de qualquer outra tentativa.

Além disso, a variável aleatória em questão pode ser definida como

\(X\) = “Número de caras em \(n=4\) lançamentos independentes”.

Para fins didáticos, podemos resolver este exemplo de duas formas:

  1. Enumerando todos os resultados possíveis, mais trabalhoso.
  2. Utilizando o modelo Binomial.

Vamos resolver utilizando as duas formas para comparar, começando pela primeira forma, somente para fins didáticos.


  1. Enumerando todos os resultados possíveis, mais trabalhoso.

Pelo enunciado podemos obter os seguintes dados:

  • \(n = 4\), número de lançamentos;
  • \(p = 0.5\), probabilidade de sucesso (cara);
  • \(1-p = 0.5\), probabilidade de fracasso (coroa).

Um possível resultado é \(SSSS\), ou seja, quatro caras em quatro lançamentos.

A probabilidade desse resultado é \(P(S) \times P(S) \times P(S) \times P(S) = p^4 = 0.5^4 = 0.0625\), uma vez que cada lançamento é independente e a probabilidade de sucesso é constante.

Para todos os possíveis resultados, a tabela abaixo mostra os resultados e probabilidades de cada:

Todos os possiveis resultados do experimento e suas probabilidades
Resultado \(x\) \(p_X(x)\) \(p_X(x)\)
SSSS 4 \(p^4\) \(0.5^4 = 0.0625\)
FSSS 3 \(p^3(1-p)\) \(0.5^3(1-0.5) = 0.0625\)
SSSF 3 \(p^3(1-p)\) \(0.5^3(1-0.5) = 0.0625\)
FSSF 2 \(p^2(1-p)^2\) \(0.5^2(1-0.5)^2 = 0.0625\)
SSFS 3 \(p^3(1-p)\) \(0.5^3(1-0.5) = 0.0625\)
FSFS 2 \(p^2(1-p)^2\) \(0.5^2(1-0.5)^2 = 0.0625\)
SSFF 2 \(p^2(1-p)^2\) \(0.5^2(1-0.5)^2 = 0.0625\)
FSFF 1 \(p(1-p)^3\) \(0.5(1-0.5)^3 = 0.0625\)
SFSS 3 \(p^3(1-p)\) \(0.5^3(1-0.5) = 0.0625\)
FFSS 2 \(p^2(1-p)^2\) \(0.5^2(1-0.5)^2 = 0.0625\)
SFSF 2 \(p^2(1-p)^2\) \(0.5^2(1-0.5)^2 = 0.0625\)
FFSF 1 \(p(1-p)^3\) \(0.5(1-0.5)^3 = 0.0625\)
SFFS 2 \(p^2(1-p)^2\) \(0.5^2(1-0.5)^2 = 0.0625\)
FFFS 1 \(p(1-p)^3\) \(0.5(1-0.5)^3 = 0.0625\)
SFFF 1 \(p(1-p)^3\) \(0.5(1-0.5)^3 = 0.0625\)
FFFF 0 \((1-p)^4\) \(0.5^4 = 0.0625\)


Note que a probabilidade de obter \(3\) caras é a soma das probabilidades de obter \(SSSF\), \(SSFS\), \(SFSS\) e \(FSSS\), ou seja quando \(x=3\), temos:

\[P(X=3) = 4 \times p^3(1-p) = 4 \times 0.0625 = 0.250\]

Os resultados agregados, somando as probabilidades para cada valor de \(x\), nos levam aos seguintes valores, tabelados abaixo, que é a nossa PMF:

Função Massa de Probabilidade (PMF) de \(X\) obtida empiricamente
\(x\) \(p_X(x)\)
0 \(0.0625\)
1 \(0.250\)
2 \(0.375\)
3 \(0.250\)
4 \(0.0625\)

  1. Utilizando o modelo Binomial.

Como neste caso, temos um experimento de Bernoulli repetido \(n=4\) vezes, com probabilidade de sucesso \(p=0.5\), o modelo que pode ser utilizado é o Binomial, \(X \sim Bin(n=4, p=0.5)\).

A variável aleatória associada ao problema é:

\(X\) = “Número de caras em 4 tentativas independentes”

As premissas do modelo são atendidas, conforme visto acima.

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\(p_X(x)= \binom{n}{x}(p)^x(1-p)^{n-x}\)

Utilizando a PMF acima, podemos obter as probabilidades de maneira direta, veja e tabela abaixo e compare com a tabela anterior:

Função Massa de Probabilidade (PMF) de \(X\) obtida diretamente do modelo
\(x\) \(p_X(x)\)
0 \(\binom{4}{0}(0.5)^0(1-0.5)^{4-0} = 0.0625\)
1 \(\binom{4}{1}(0.5)^1(1-0.5)^{4-1} = 0.250\)
2 \(\binom{4}{2}(0.5)^2(1-0.5)^{4-2} = 0.375\)
3 \(\binom{4}{3}(0.5)^3(1-0.5)^{4-3} = 0.250\)
4 \(\binom{4}{4}(0.5)^4(1-0.5)^{4-4} = 0.0625\)


Dessa forma a resposta é simplesmente:

\[P(X=3) = \binom{4}{3}(0.5)^3(1-0.5)^{4-3} = 4 \times 0.0625 = 0.250\]

DicaDica

Na prática utilizaremos, sempre que possível os modelos teóricos, uma vez que a enumeração de todos os resultados possíveis é trabalhosa e computacionalmente intensiva.

Exemplo3.0.2 Exemplo Dificuldade:

Suponha que 20% de todas as cópias de um livro-texto apresentem falha em um determinado teste de resistência de encadernação. Selecionamos 30 cópias aleatoriamente.

  • Qual a probabilidade de exatamente 3 apresentarem falha?
  • Qual a probabilidade de no máximo 3 apresentarem falha?

Solução:

Vamos resolver este exemplo utilizando o modelo Binomial, uma vez que atendemos as premissas do modelo.

A variável aleatória em questão pode ser definida como:

\(X\) = “Número de falhas em \(n=30\) tentativas independentes”

A probabilidade de sucesso, ou seja, de uma cópia apresentar falha é \(p=0.2\) e o número de tentativas é \(n=30\).

  • A probabilidade de exatamente 3 apresentarem falha é:

\[P(X=3) = \binom{30}{3}(0.2)^3(1-0.2)^{30-3} = 0.1227\]

  • A probabilidade de no máximo 3 apresentarem falha é:

\[P(X \le 3) = \sum_{x=0}^{3} \binom{30}{x}(0.2)^x(1-0.2)^{30-x}\]

\[ \begin{aligned} P(X \le 3) = &\binom{30}{0}(0.2)^0(1-0.2)^{30-0} + \\ &\binom{30}{1}(0.2)^1(1-0.2)^{30-1} + \\ &\binom{30}{2}(0.2)^2(1-0.2)^{30-2} + \\ &\binom{30}{3}(0.2)^3(1-0.2)^{30-3} = 0.1227 \end{aligned} \]

Veja a distribuição de probabilidade abaixo:

Figura 2: Distribuição de probabilidade binomial com \(n=30\) e \(p=0.2\)
Exemplo3.0.3 Exemplo - Dificuldade:

Uma limusine de aeroporto pode acomodar até quatro passageiros em qualquer corrida. A empresa aceitará um máximo de seis reservas e cada passageiro deve ter reserva. Pelos registros anteriores, 20% de todos os que fazem reservas não aparecem para a corrida. Responda as seguintes perguntas, assumindo independência quando apropriado.

a. Se forem feitas seis reservas, qual é a probabilidade de ao menos um indivíduo com reserva não poder ser acomodado na corrida?

b. Se forem feitas seis reservas, qual é o número esperado de lugares disponíveis quando a limusine parte?

c. Suponha que a distribuição de probabilidade do número de reservas feitas seja dada na tabela a seguir.Seja \(W\) o número de passageiros de uma corrida selecionada aleatoriamente. Calcule a função de distribuição de probabilidade de \(W\).

Tabela 1: Tabela de número de reservas
número de reservas \(R\) 3 4 5 6
probabilidade \(P(R=r)\) 0.1 0.2 0.3 0.4

Solução:

a. Se forem feitas seis reservas, qual é a probabilidade de ao menos um indivíduo com reserva não poder ser acomodado na corrida?

Assumindo que cada passageiro faz a sua reserva de forma independente, e que a probabilidade de cada passageiro comparecer à corrida é de \(p=0.8\). É o chamado overbooking, quando vende-se mais do que a capacidade de acomodação. Neste caso, temos um evento onde “o número de passageiros que comparecem é maior que a capacidade da limusine”.

Seja \(X\) o número de passageiros que comparecem à corrida em \(n=6\) tentativas independentes, que segue uma distribuição binomial com parâmetros \(n=6\) e \(p=0.8\). A probabilidade desejada é

\[ \begin{aligned} P(X > 4) &= P(X=5) + P(X=6)\\ &= \binom{6}{5}(0.8)^5(0.2)^1 + \binom{6}{6}(0.8)^6(0.2)^0 \\ &= \frac{6!}{5!1!} (0.8)^5(0.2)^1 + \frac{6!}{6!0!} (0.8)^6(0.2)^0 \\ &= 6 (0.32768) (0.2) + 1 (0.262144) (1) \\ &= 0.393216 + 0.262144 \\ &= 0.65536 \end{aligned} \]

b. Se forem feitas seis reservas, qual é o número esperado de lugares disponíveis quando a limusine parte?

Vamos criar uma nova quantidade aleatória \(Y\) que representa o número de lugares disponíveis, ou seja, quando:

  • \(X=0\) então \(Y=4\),
  • \(X=1\) então \(Y=3\),
  • \(X=2\) então \(Y=2\),
  • \(X=3\) então \(Y=1\),
  • \(X=4\) então \(Y=0\),
  • \(X=5\) então \(Y=0\),
  • \(X=6\) então \(Y=0\),

pois a capacidade máxima da limusine é de \(4\) passageiros. Ou seja, podemos expressar matematicamente \(Y = \max(4-X, 0)\).

Para facilitar podemos criar uma tabela com os valores de \(X\), \(Y\) e suas probabilidades, para \(R=6\) reservas:

Tabela 2: Tabela comparativa de \(X\) e \(Y\), quando número de reservas é igual a \(6\).
\(x\) \(y = \max(4-x, 0)\) \(P(X=x)\)
0 4 0.000064
1 3 0.001536
2 2 0.015360
3 1 0.081920
4 0 0.245760
5 0 0.393216
6 0 0.262144
Total 1.000000

Observe que a probabilidade de \(Y\) depende de \(X\):

\(P(Y=4) = P(X=0) = \binom{6}{0}(0.8)^0(0.2)^6 = 0.000064\)

Como \(X=4\), \(X=5\) e \(X=6\) produzem o mesmo número de vagas disponíveis \(Y=0\), ou seja:

\(P(Y=0) = P(X=4) + P(X=5) + P(X=6)\)

Assim, a função massa de probabilidade de \(Y\) é dada por:

Tabela 3: Tabela do número de lugares disponíveis
\(y\) \(P(Y=y)\)
4 0.000064
3 0.001536
2 0.015360
1 0.081920
0 0.245760 + 0.393216 + 0.262144 = 0.901120
Total 1.000000

Logo, o número esperado de lugares disponíveis \(Y\) quando a limusine parte é:

\[E[Y] = \sum_{y} yP(Y=y) = 4(0.000064) + 3(0.001536) + 2(0.015360) + 1(0.081920) + 0(0.901120) = 0.117504\]

c. Suponha que a distribuição de probabilidade do número de reservas feitas seja dada na tabela a seguir. Seja \(W\) o número de passageiros de uma suposta corrida selecionada aleatoriamente. Calcule a função de distribuição de probabilidade de \(W\).

Tabela 4: Tabela de número de reservas
número de reservas \(R\) 3 4 5 6
probabilidade \(P(R=r)\) 0.1 0.2 0.3 0.4

Sejam as seguintes quantidades disponíveis:

  • \(R\) o “Número de reservas feitas”, com distribuição de probabilidade dada na tabela acima.
  • \(X\) o “Número de passageiros que comparecem à corrida em \(n=r\) tentativas”, dado que \(r\) reservas foram feitas. Assim, \(X \sim Bin(r, p=0.8)\).
  • \(W\) o “Número de passageiros de uma corrida selecionada aleatoriamente”. Precisamos calcular a distribuição de probabilidade de \(W\).

Sabemos que podemos ter no máximo 4 passageiros, pois a capacidade da limusine é de 4 passageiros. Assim, os possíveis valores de \(W\) são \(0, 1, 2, 3, 4\).

Note que os valores de \(W\) dependem dos valores de \(X\) e \(R\), bem como \(Y\) também depende.

Pode-se representar a relação entre \(W\), \(X\) e \(R\) através de uma tabela:

Para \(r=3\)
\(r\) \(x\) \(w\)
3 0 0
3 1 1
3 2 2
3 3 3
Para \(r=4\)
\(r\) \(x\) \(w\)
4 0 0
4 1 1
4 2 2
4 3 3
4 4 4
Para \(r=5\)
\(r\) \(x\) \(w\)
5 0 0
5 1 1
5 2 2
5 3 3
5 4 4
5 5 4
Para \(r=6\)
\(r\) \(x\) \(w\)
6 0 0
6 1 1
6 2 2
6 3 3
6 4 4
6 5 4
6 6 4

Relação entre \(W\), \(X\) e \(R\)

Assim podemos calcular a probabilidade de cada valor de \(W\):

\(P(W=0)\): neste caso, ninguém aparece (possível para qualquer número de reservas \(r\)):

\[P(W=0) = P(X=0 \cap R=3) + P(X=0 \cap R=4) + P(X=0 \cap R=5) + P(X=0 \cap R=6)\]

A probabilidade conjunta é dada por:

\[P(X=0 \cap R=r) = P(R=r)P(X=0 \mid R=r)\]

A probabilidade condicional \(P(X=0 \mid R=r)\) é dada pela distribuição binomial sendo \(r\) o número de reservas feitas:

\[P(X=0 \mid R=r) = \binom{r}{0}(0.8)^0(0.2)^r = (0.2)^r\]

Assim, temos as probabilidades condicionais para cada valor de reservas feitas:

\[ \begin{aligned} P(X=0 \mid R=3) &= (0.2)^3 = 0.008000 \\ P(X=0 \mid R=4) &= (0.2)^4 = 0.001600 \\ P(X=0 \mid R=5) &= (0.2)^5 = 0.000320 \\ P(X=0 \mid R=6) &= (0.2)^6 = 0.000064 \\ \end{aligned} \]

\[ \begin{aligned} P(W=0) &= (0.1)(0.008000) + (0.2)(0.001600) + (0.3)(0.000320) + (0.4)(0.000064) \\ &= 0.000800 + 0.000320 + 0.000096 + 0.000026 \\ &= 0.001242 \end{aligned} \]

\(P(W=1)\): exatamente 1 passageiro aparece (possível para \(r \geq 1\), ou seja, todos os casos):

\[P(W=1) = P(X=1 \cap R=3) + P(X=1 \cap R=4) + P(X=1 \cap R=5) + P(X=1 \cap R=6)\]

\[P(X=1 \mid R=r) = \binom{r}{1}(0.8)^1(0.2)^{r-1}\]

As probabilidades condicionais para cada valor de reservas feitas:

\[\begin{aligned} P(X=1 \mid R=3) &= \binom{3}{1}(0.8)(0.2)^2 = 3 \times 0.8 \times 0.04 = 0.096000 \\ P(X=1 \mid R=4) &= \binom{4}{1}(0.8)(0.2)^3 = 4 \times 0.8 \times 0.008 = 0.025600 \\ P(X=1 \mid R=5) &= \binom{5}{1}(0.8)(0.2)^4 = 5 \times 0.8 \times 0.0016 = 0.006400 \\ P(W=1 \mid R=6) &= \binom{6}{1}(0.8)(0.2)^5 = 6 \times 0.8 \times 0.00032 = 0.001536 \\ \end{aligned}\] \[\begin{aligned} P(W=1) &= (0.1)(0.096000) + (0.2)(0.025600) + (0.3)(0.006400) + (0.4)(0.001536) \\ &= 0.009600 + 0.005120 + 0.001920 + 0.000614 \\ &= 0.017254 \end{aligned}\]

\(P(W=2)\): neste caso, exatamente 2 passageiros aparecem (possível para \(r \geq 2\)):

\[P(W=2) = P(X=2 \cap R=3) + P(X=2 \cap R=4) + P(X=2 \cap R=5) + P(X=2 \cap R=6)\]

\[P(X=2 \mid R=r) = \binom{r}{2}(0.8)^2(0.2)^{r-2}\]

As probabilidades condicionais para cada valor de reservas feitas:

\[\begin{aligned} P(X=2 \mid R=3) &= \binom{3}{2}(0.8)^2(0.2)^1 = 3 \times 0.64 \times 0.2 = 0.384000 \\ P(X=2 \mid R=4) &= \binom{4}{2}(0.8)^2(0.2)^2 = 6 \times 0.64 \times 0.04 = 0.153600 \\ P(X=2 \mid R=5) &= \binom{5}{2}(0.8)^2(0.2)^3 = 10 \times 0.64 \times 0.008 = 0.051200 \\ P(X=2 \mid R=6) &= \binom{6}{2}(0.8)^2(0.2)^4 = 15 \times 0.64 \times 0.0016 = 0.015360 \\ \end{aligned}\] \[\begin{aligned} P(W=2) &= (0.1)(0.384000) + (0.2)(0.153600) + (0.3)(0.051200) + (0.4)(0.015360) \\ &= 0.038400 + 0.030720 + 0.015360 + 0.006144 \\ &= 0.090624 \end{aligned}\]

\(P(W=3)\): neste caso, exatamente 3 passageiros aparecem (possível para \(r \geq 3\)):

\[P(W=3) = P(X=3 \cap R=3) + P(X=3 \cap R=4) + P(X=3 \cap R=5) + P(X=3 \cap R=6)\]

\[P(X=3 \mid R=r) = \binom{r}{3}(0.8)^3(0.2)^{r-3}\]

As probabilidades condicionais para cada valor de reservas feitas:

\[\begin{aligned} P(X=3 \mid R=3) &= \binom{3}{3}(0.8)^3(0.2)^0 = 1 \times 0.512 \times 1 = 0.512000 \\ P(X=3 \mid R=4) &= \binom{4}{3}(0.8)^3(0.2)^1 = 4 \times 0.512 \times 0.2 = 0.409600 \\ P(X=3 \mid R=5) &= \binom{5}{3}(0.8)^3(0.2)^2 = 10 \times 0.512 \times 0.04 = 0.204800 \\ P(X=3 \mid R=6) &= \binom{6}{3}(0.8)^3(0.2)^3 = 20 \times 0.512 \times 0.008 = 0.081920 \\ \end{aligned}\] \[\begin{aligned} P(W=3) &= (0.1)(0.512000) + (0.2)(0.409600) + (0.3)(0.204800) + (0.4)(0.081920) \\ &= 0.051200 + 0.081920 + 0.061440 + 0.032768 \\ &= 0.227328 \end{aligned}\]

\(P(W=4)\): neste caso, a limusine parte lotada exatamente 4 passageiros aparecem (possível para \(r \geq 4\)).

\[\begin{aligned} P(W=4) = &P(X=4 \cap R=4) + P(X=4 \cap R=5) + P(X=4 \cap R=6) +\\ &P(X=5 \cap R=5) + P(X=5 \cap R=6) + \\ &P(X=6 \cap R=6) \end{aligned}\]

Note que \(W=4\) sempre que \(X \geq 4\), pois a limusine comporta no máximo 4 passageiros. Como \(r=3\) não permite \(X \geq 4\), apenas \(r \in \{4, 5, 6\}\) contribuem.

As probabilidades condicionais para cada valor de reservas feitas:

\[\begin{aligned} P(X=4 \mid R=4) &= \binom{4}{4}(0.8)^4 = 0.4096 \\ P(X=4 \mid R=5) &= \binom{5}{4}(0.8)^4(0.2)^1 = 5 \times 0.4096 \times 0.2 = 0.409600 \\ P(X=4 \mid R=6) &= \binom{6}{4}(0.8)^4(0.2)^2 = 15 \times 0.4096 \times 0.04 = 0.245760 \\ P(X=5 \mid R=5) &= \binom{5}{5}(0.8)^5(0.2)^0 = 1 \times 0.32768 \times 1 = 0.32768 \\ P(X=5 \mid R=6) &= \binom{6}{5}(0.8)^5(0.2)^1 = 6 \times 0.32768 \times 0.2 = 0.393216 \\ P(X=6 \mid R=6) &= \binom{6}{6}(0.8)^6(0.2)^0 = 1 \times 0.262144 \times 1 = 0.262144 \\ \end{aligned}\] \[\begin{aligned} P(W=4) &= (0.1)(0) + (0.2)(0.409600) + (0.3)(0.409600 + 0.32768) + (0.4)(0.245760 + 0.393216 + 0.262144) \\ &= 0 + 0.081920 + (0.3)(0.737280) + (0.4)(0.901120) \\ &= 0.081920 + 0.221184 + 0.360448 \\ &= 0.663552 \end{aligned}\]

A PMF completa de \(W\) é:

Tabela 5: Função de distribuição de probabilidade de \(W\)
\(w\) \(P(W=w)\)
0 0.001242
1 0.017254
2 0.090624
3 0.227328
4 0.663552
Total 1.000000

4 Distribuição Geométrica

Considere um experimento aleatório que está intimamente relacionado ao usado na definição de uma distribuição binomial. Novamente, assuma uma série de ensaios de Bernoulli (ensaios independentes com probabilidade constante \(p\) de sucesso em cada ensaio). No entanto, em vez de um número fixo de ensaios, os ensaios são realizados até que um sucesso seja obtido.

Seja a variável aleatória \(X\) o número de tentativas até o primeiro sucesso.

Exemplo4.0.1 Exemplo

A probabilidade de um bit transmitido através de um canal de transmissão digital ser recebido em erro é \(p=0.1\). Assuma que as transmissões são eventos independentes, e seja a variável aleatória \(X\) o número de bits transmitidos até o primeiro erro.

Então \(P(X=5)\) é a probabilidade de que os primeiros quatro bits sejam transmitidos corretamente e o quinto bit esteja em erro. Este evento pode ser denotado como \(\{OOOOE\}\), onde \(O\) denota um bit correto e \(E\) denota um bit em erro. Como as tentativas são independentes e a probabilidade de uma transmissão correta é \(0.9\), temos que:

\[P(X=5) = (0.9)^4(0.1) = 0.066\]

Note que existe probabilidade de \(X\) assumir qualquer valor inteiro. Além disso, se o primeiro ensaio for um sucesso, \(X=1\). Portanto, o espaço amostral de \(X\) é \(\{1, 2, 3, \dots\}\), ou seja, todos os inteiros positivos.

Modelo Geométrico

Notação:

\(X \sim Geo(p)\)

Premissas:

  • Ensaios de Bernoulli independentes
  • Probabilidade constante de sucesso \(p\)
  • Número de tentativas até o primeiro sucesso

Variável Aleatória Generalizada:

\(X\) = “Número de tentativas até que o primeiro sucesso ocorra.”

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\(p_X(x) = (1-p)^{x-1}p\)

Valor Esperado e Variância

Valor Esperado:

\(E(X) = \frac{1}{p}\)

Variância:

\(Var(X) = \frac{1-p}{p^2}\)

Exemplo4.0.2 Exemplo

Considere a transmissão de bits no exemplo anterior. Aqui \(p = 0.1\).

Dessa forma o número médio de transmissões até o primeiro erro é

\[E[X] = \frac{1}{p} = \frac{1}{0.1} = 10\]

O desvio padrão do número de transmissões antes do primeiro erro é

\[ \begin{aligned} DP(X) &= \sqrt{Var(X)} \\ &= \sqrt{\frac{1-p}{p^2}} \\ &= \sqrt{\frac{1-0.1}{0.1^2}} \\ &= \sqrt{\frac{0.9}{0.01}} = \sqrt{90} \approx 9.487 \\ \sigma &= 9.487 \end{aligned} \]

Interpretação Prática: Em média, esperamos 10 transmissões até o primeiro erro. No entanto, o desvio padrão de 9.487 indica que o número real de transmissões pode variar consideravelmente em relação à média.

Veja a distribuição de probabilidade abaixo calculadas a partir da PMF:

Figura 3: Distribuição de probabilidade geométrica com \(p=0.1\), série truncada em 30.

Propriedade de Falta de Memória

A variável aleatória geométrica foi definida como o número de tentativas até o primeiro sucesso. No entanto, como as tentativas são independentes, a contagem do número de tentativas até o próximo sucesso pode ser iniciada em qualquer tentativa sem alterar a distribuição de probabilidade da variável aleatória.

Por exemplo, se 100 bits são transmitidos, a probabilidade de que o primeiro erro, após o bit 100, ocorra no bit 106 é a probabilidade de que os próximos seis resultados sejam OOOOOE.

Essa probabilidade é \[(0.9)^5(0.1) = 0.059\]

que é idêntica à probabilidade de que o erro inicial ocorra no bit 6.

A implicação de usar um modelo geométrico é que o sistema presumivelmente não se desgasta.

A probabilidade de um erro permanece constante para todas as transmissões. Nesse sentido, a distribuição geométrica é dita não ter memória. A propriedade de falta de memória será discutida novamente no contexto de uma variável aleatória exponencial no próximo módulo (Módulo 2).

5 Distribuição Binomial Negativa

A generalização de uma distribuição geométrica na qual a variável aleatória é o número de tentativas até que \(r\) sucessos ocorram, resulta na chamada distribuição binomial negativa. O modelo geométrico é um caso especial da distribuição Binomial Negativa, onde \(r=1\).

Exemplo5.0.1 Exemplo

Considere o exemplo anterior, onde a probabilidade de um bit transmitido através de um canal de transmissão digital ser recebido em erro é \(p=0.1\). Assuma que as transmissões são eventos independentes, e seja a variável aleatória \(X\) o número de bits transmitidos até o quarto erro.

Então \(X\) tem uma distribuição binomial negativa com \(r = 4\).

Probabilidades envolvendo \(X\) podem ser encontradas da seguinte forma. Por exemplo, \(P(X = 10)\) é a probabilidade de que exatamente três erros ocorram nos primeiros 9 ensaios e então o décimo ensaio resulte no quarto erro.

A probabilidade de que exatamente três erros ocorram nos primeiros 9 ensaios é determinada pela distribuição binomial para ser

\[ \binom{9}{3}(0.1)^3(0.9)^6 \]

Vamos enumerar algumas das possibilidades de ocorrência de 3 erros nos primeiros 9 ensaios, \({EEEOOOOOOE, EEOOOEOOOE, EEOEOOOOOE, ...}\), note que o último ensaio é sempre um erro, finalizando os quatro erros dentro das 10 tentativas. O restante, as \(10 - 1 = 9\) tentativas, devem conter 3 erros e \(9 - 3 = 6\) acertos. Para contar de quantas formas isso pode ocorrer (permutação de elementos repetidos) usa-se o coeficiente binomial \(\binom{x-1}{r-1}\), ou seja, das \(x-1\) tentativas, devemos escolher \(r-1\) para serem erros.

Como as tentativas são independentes, a probabilidade de que exatamente três erros ocorram nos primeiros 9 ensaios e o décimo ensaio resulte no quarto erro é o produto das probabilidades desses dois eventos, nomeadamente,

\[ \binom{9}{3}(0.1)^3(0.9)^6(0.1) = \binom{9}{3}(0.1)^4(0.9)^6 \]

\[ \binom{9}{3}(0.1)^3(0.9)^6(0.1) = \binom{9}{3}(0.1)^4(0.9)^6 \]

Em geral, as probabilidades para \(X\) = “Número de tentativas até que r sucessos ocorram” podem ser determinadas da seguinte forma.

Aqui \(P(X = x)\) implica que \(r-1\) sucessos ocorrem nas primeiras \(x-1\) tentativas e o \(r\)-ésimo sucesso ocorre na tentativa \(x\).

Assim, a probabilidade de que \(r-1\) sucessos ocorram nas primeiras \(x-1\) tentativas é obtida da distribuição binomial (negativa) para ser dada por:

\[ \binom{x-1}{r-1}p^{r-1}(1-p)^{x-r} \]

para \(r \leq x\).

A probabilidade de que uma única tentativa seja um sucesso é \(p\). Como as tentativas são independentes, essas probabilidades são multiplicadas de modo que

\[ \begin{aligned} P(X = x) &= \binom{x-1}{r-1}p^{r-1}(1-p)^{x-r}p \\ &= \binom{x-1}{r-1}p^{r}(1-p)^{x-r} \end{aligned} \]

O termo \(\binom{x-1}{r-1}\) representa o número de sequências de \(r-1\) sucessos e \(x-r\) falhas nas primeiras \(x-1\) tentativas, visto que a cadeia termina sempre com o último dos \(r\) sucessos.

Isso leva ao seguinte resultado.

Modelo Binomial Negativo

Notacao:

\(X \sim BiNeg(r, p)\)

Premissas:

  • Ensaios de Bernoulli independentes
  • Probabilidade de sucesso constante \(p\)
  • Número de sucessos \(r\) fixo
  • Número de tentativas \(x\) variável

Variavel aleatoria generalizada:

\(X\) = “Número de tentativas até que r sucessos ocorram”.

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\[P(X = x) = \binom{x-1}{r-1}p^{r}(1-p)^{x-r}\]

Valor Esperado e Variância

Valor Esperado:

\(E(X) = \frac{r}{p}\)

Variância:

\(Var(X) = \frac{r(1-p)}{p^2}\)

Embora o modelo possa ser parametrizado de forma diferente, como número de falhas até que um sucesso ocorra, levando ao modelo com PMF \(P(X = x) = \binom{x+r-1}{r-1}p^{r}(1-p)^{x}\) para \(x = 0, 1, 2, \dots\).

A propriedade de falta de memória de uma variável aleatória geométrica implica o seguinte. Seja \(X\) o número total de tentativas até que \(r\) sucessos ocorram. Seja \(X_1\) o número de tentativas necessárias para obter o primeiro sucesso, seja \(X_2\) o número de tentativas extras necessárias para obter o segundo sucesso, seja \(X_3\) o número de tentativas extras necessárias para obter o terceiro sucesso, e assim por diante. Então o número total de tentativas necessárias para obter \(r\) sucessos é \(X = X_1 + X_2 + X_3 + \dots + X_r\).

Devido à propriedade de falta de memória, cada uma das variáveis aleatórias \(X_1, X_2, \dots, X_r\) tem uma distribuição geométrica com o mesmo valor de \(p\). Podemos chamar de variáveis aleatórias independentes e igualmente distribuidas, i.i.d.

Consequentemente, uma variável aleatória binomial negativa pode ser interpretada como a soma de \(r\) variáveis aleatórias geométricas. Este conceito é ilustrado na Figura fig-soma-geometricas.

Figura 4: Soma de variáveis aleatórias geométricas

Lembre-se de que uma variável aleatória binomial é uma contagem do número de sucessos em \(n\) tentativas de Bernoulli. Ou seja, o número de tentativas é predeterminado e o número de sucessos é aleatório. Uma variável aleatória binomial negativa é uma contagem do número de tentativas necessárias para obter \(r\) sucessos. Ou seja, o número de sucessos é predeterminado e o número de tentativas é aleatório. Nesse sentido, uma variável aleatória binomial negativa pode ser considerada o oposto, ou negativo, de uma variável aleatória binomial.

Exemplo5.0.2 Exemplo - Dificuldade:

Um casal quer ter exatamente duas meninas e terá filhos até essa condição ser satisfeita. Suponha que \(p = P(\text{nascimento de menina}) = 0.5\).

a. Qual é a probabilidade de a família ter \(x\) filhos homens?

b. Qual é a probabilidade de a família ter quatro filhos?

c. Qual é a probabilidade de a família ter no máximo quatro filhos?

d. Quantos filhos homens espera-se que essa família tenha?

e. Quantos filhos espera-se que essa família tenha?


Solução:

Para a solução deste exemplo, utilizaremos a variável aleatória binomial negativa parametrizada como o número de falhas até que r sucessos ocorram.

A PMF é dada por:

\[P(X = x) = \binom{x + r -1}{r-1}p^{r-1}(1-p)^{x}\]

O valor esperado e variância são dados por:

\[E[X] = \frac{r(1-p)}{p}\]

\[Var(X) = \frac{r(1-p)}{p^2}\]

a. Qual é a probabilidade de a família ter \(x\) filhos homens?

Com \(S\) representando o número de meninas e \(F\) representando o número de meninos, seja \(X\) o número de F antes do segundo S. Então, \(X\) segue uma distribuição binomial negativa com parâmetros \(r = 2\) e \(p = 0.5\).

\(X\) = “Número de filhos homens antes de ter duas meninas”.

equivalente a

\(X\) = “Número de F até ao segundo S”.

\[X \sim BiNeg(r = 2, p = 0.5)\]

A PMF parametrizada é dada por:

\[P(X = x) = \binom{x + r -1}{r-1}p^{r-1}(1-p)^{x}\]

b. Qual é a probabilidade de a família ter quatro filhos?

Se utilizarmos a variável \(X\) então significa que a família tem 2 meninas e 2 meninos.

\[P(X=2) = \binom{2 + 2 -1}{2-1}p^{2-1}(1-p)^{2} = \binom{3}{1}(0.5)^{1}(0.5)^{2} = 0.188\]

c. Qual é a probabilidade de a família ter no máximo quatro filhos?

Novamente, se utilizarmos a variável \(X\) = “Número de filhos homens antes de ter duas meninas”.

Então, se a família tiver no máximo 4 filhos significa que o número de filhos homens pode ser 0, 1 ou 2. Ou seja,:

\[P(X \leq 2) = P(X = 0) + P(X = 1) + P(X = 2)\]

\[P(X=0) = \binom{0 + 2 -1}{2-1}p^{2-1}(1-p)^{0} = 0.25\]

\[P(X=1) = \binom{1 + 2 -1}{2-1}p^{2-1}(1-p)^{1} = 2(0.25)(0.5) = 0.25\]

\[P(X=2) = \binom{2 + 2 -1}{2-1}p^{2-1}(1-p)^{2} = 3(0.0625) = 0.1875\]

\[P(X \leq 2) = 0.25 + 0.25 + 0.1875 = 0.6875\]

d. Quantos filhos homens espera-se que essa família tenha?

Se utilizarmos a variável \(X\) = “Número de filhos homens antes de ter duas meninas”.

\[E[X] = \frac{r(1-p)}{p} = \frac{2(1-0.5)}{0.5} = 2\]

e. Quantos filhos no total espera-se que essa família tenha?

Se espera-se em média 2 filhos homens e sabendo que a família terá no mínimo 2 filhas, então espera-se em média 4 filhos.

\[E[X + r] = E[X] + r = 2 + 2 = 4\]

6 Distribuição Poisson

A distribuição de Poisson é nomeada em homenagem a Simeon-Denis Poisson (1781–1840). Um modelo amplamente utilizado surge do conceito de que eventos ocorrem aleatoriamente em um intervalo (ou, mais geralmente, em uma região).

A variável aleatória de interesse é o número de sucessos que ocorrem dentro de um intervalo.

Assuma que as falhas ocorrem aleatoriamente ao longo do comprimento de um fio de cobre fino. Seja \(X\) a variável aleatória que conta o número de falhas em um comprimento de \(T\) milímetros de fio e suponha que o número médio de falhas por milímetro seja \(\lambda\).

Dessa forma, esperamos \(E[X] = \lambda T\) da definição de \(\lambda\). Ou seja, espera-se que o número de falhas seja proporcional ao comprimento do fio.

Figura 5: Processo de Poisson

A distribuição de probabilidade de \(X\) é determinada da seguinte forma:

Particione o comprimento do fio em \(n\) subintervalos de pequeno comprimento \(\Delta_t = T/n\) (digamos, um micrômetro cada). Se os subintervalos forem suficientemente pequenos, a probabilidade de que mais de uma falha ocorra em um subintervalo é desprezível. Além disso, podemos interpretar a suposição de que as falhas ocorrem aleatoriamente para implicar que cada subintervalo tem a mesma probabilidade de conter uma falha, digamos \(p\).

Além disso, assume-se que a ocorrência de uma falha em um subintervalo é independente das falhas em outros subintervalos. Então podemos modelar a distribuição de \(X\) como aproximadamente uma variável aleatória binomial. Cada subintervalo gera um sucesso (falha) ou fracasso (não falha).

Portanto,

\[E[X] = \lambda T = np\]

e pode ser resolvido para \(p\) como

\[p = \frac{\lambda T}{n}\]

Agora imagine, que cada subintervalo tem um comprimento cada vez menor, ou seja, \(n \to \infty\). Assim, \(p \to 0\). Esse é o ponto de partida para entendermos como modelar esses resultados usando a distribuição de Poisson.

Assumimos que temos um processo estocástico em que os eventos ocorrem de forma independente e com uma taxa constante \(\lambda\), e que executamos esse processo por um período de tempo \(T\) (intervalo). A execução desse processo é feita \(n\) vezes, onde \(n\) na verdade tende ao infinito, pois poderíamos em tese executar o processo a cada microssegundo, nanosegundo, ou picosegundo, etc. Ou seja, no intervalo de tempo executamos o experimento infinitas vezes.

Se pensarmos em uma distribuição binomial, temos o número de sucessos em \(n\) tentativas, mas com \(n \to \infty\).

Vamos deduzir a função massa de probabilidade dessa binomial resultante.

\[ \begin{aligned} p(x)=P(X=x)&= \left(\begin{array}{c}n\\x\end{array}\right)p^x(1-p)^{n-x} \\ &\lim_{n \to \infty} \end{aligned} \]

Tomando o limite quando \(n \to \infty\):

\[ \begin{aligned} p(x)=P(X=x)&= \left(\begin{array}{c}n\\x\end{array}\right)p^x(1-p)^{n-x} \\ &=\frac{n!}{x!(n-x)!}p^x(1-p)^{n-x} \\ &=\frac{n!}{x!(n-x)!}p^x\frac{n^x}{n^x}\left(1-\frac{np}{n}\right)^{n-x} \\ &=\frac{n!}{x!(n-x)!}\frac{(np)^x}{n^x}\left(1-\frac{np}{n}\right)^{n-x}\\ &=\frac{(np)^x}{x!}\frac{n!}{n^x(n-x)!}\left(1-\frac{np}{n}\right)^{n-x} \\ &=\frac{(np)^x}{x!}\frac{n!}{n^x(n-x)!}\left(1-\frac{np}{n}\right)^{n}\left(1-\frac{np}{n}\right)^{-x}\\ \end{aligned} \]

Note que \(np = \lambda\), assuma um intervalo de tempo \(T = 1\).

\[ \begin{aligned} p(x)=P(X=x)&= \frac{\lambda^x}{x!}\frac{n!}{n^x(n-x)!}\left(1-\frac{\lambda}{n}\right)^{n}\left(1-\frac{\lambda}{n}\right)^{-x} \end{aligned} \]

A expressão pode ser separada com o propósito de avaliarmos os seus limites quando \(lim(n\rightarrow\infty)\). Os limites em questão são,

\[ \lim_{n \to \infty}\frac{n!}{n^x(n-x)!}= \lim_{n \to \infty}\left\{\frac{n(n-1)\cdots(n-x+1)}{x!}\right\}=1 \]

\[ \lim_{n \to \infty}\left(1-\frac{\lambda}{n}\right)^{n}=e^{-\lambda} \]

\[ \lim_{n \to \infty}\left(1-\frac{\lambda}{n}\right)^{-x}=1 \]

Rearranjando os termos, temos:

\[ \begin{aligned} p(x)=P(X=x)&= \frac{\lambda^x}{x!} (1) (e^{-\lambda}) (1) \\ p(x)=P(X=x)&= \frac{e^{-\lambda}\lambda^x}{x!}\\ \end{aligned} \]

Com subintervalos suficientemente pequenos, \(n\) é grande e \(p\) é pequeno. Propriedades básicas de limites podem ser usadas para mostrar que à medida que \(n\) aumenta, a distribuição binomial se aproxima da distribuição de Poisson.

\[ \begin{aligned} \binom{n}{x} \left(\frac{\lambda T}{n}\right)^x \left(1-\frac{\lambda T}{n}\right)^{n-x} \xrightarrow[n \to \infty]{} \frac{e^{-\lambda}\lambda^x}{x!} \end{aligned} \]

Note que \(\lambda T = \lambda\) quando \(T = 1\), usalmente podemos utilizar o parâmetro \(\lambda\) para representar a taxa média de sucessos em um intervalo de tempo ou espaço.

Modelo Poisson

Notacao:

\(X \sim Poi(\lambda)\)

Premissas:

  • O número de eventos que ocorrem em um intervalo fixo de tempo ou espaço é proporcional à duração do intervalo.
  • Os eventos ocorrem de forma independente uns dos outros.
  • A probabilidade de um evento ocorrer em um intervalo muito pequeno é proporcional ao tamanho do intervalo.
  • A probabilidade de mais de um evento ocorrer em um intervalo muito pequeno é desprezível.

Variavel aleatoria generalizada:

\(X\) = “Número de sucessos em um intervalo de tempo ou espaço.”

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\[P(X = x) = \frac{e^{-\lambda}\lambda^x}{x!}\]

Valor Esperado e Variância

Valor Esperado:

\(E(X) = \lambda\)

Variância:

\(Var(X) = \lambda\)

Exemplo6.0.1 Exemplo - Dificuldade:

Para o caso do fio de cobre, suponha que o número de falhas sejam aleatórios e independentes com uma taxa de ocorrencia constante, com uma média de 2.3 falhas por metro.

  1. Determine a probabilidade de ocorrer exatamente duas falhas em 1 metro de fio.
  2. Determine a probabilidade de ocorrer exatamente dez falhas em 5 metros de fio.
  3. Determine a probabilidade de ocorrer pelo menos uma falha em 2 metros de fio.
  4. Determine quantos metros de fio precisam ser inspecionados para garantir que alguma falha seja encontrada em 95% das vezes.

Solução:

a. Determine a probabilidade de ocorrer exatamente duas falhas em 1 metro de fio.

Seja \(X\) o número de falhas em 1 metro de fio. Temos que \(X \sim Poi(\lambda)\) com \(\lambda T = 2.3\) e \(T=1\). Assim, \(\lambda = 2.3\) falhas por 1 metro:

\[P(X = 2) = \frac{e^{-2.3}(2.3)^2}{2!} = 0.265\]

b. Determine a probabilidade de ocorrer exatamente dez falhas em 5 metros de fio.

Seja \(X\) o número de falhas em 5 metros de fio. Temos que \(X \sim Poi(\lambda)\) com \(\lambda T = 2.3 \times 5 = 11.5\). Assim, \(\lambda = 11.5\) falhas por 5 metros: \[P(X = 10) = \frac{e^{-11.5}(11.5)^{10}}{10!} = 0.113\]

c. Determine a probabilidade de ocorrer pelo menos uma falha em 2 metros de fio.

Seja \(X\) o número de falhas em 2 metros de fio. Temos que \(X \sim Poi(\lambda)\) com \(\lambda T = 2.3 \times 2 = 4.6\). Assim, \(\lambda = 4.6\) falhas por 2 metros: \[P(X \geq 1) = 1 - P(X = 0) = 1 - \frac{e^{-4.6}(4.6)^0}{0!} = 0.9899\]

Interpretacao Pratica:

Dados os pressupostos do processo de Poisson e um valor para \(\lambda\), as probabilidades podem ser calculadas para intervalos de comprimento arbitrário. Tais cálculos são amplamente utilizados para definir especificações de produtos, controlar processos e planejar recursos.

Como exemplo, um engenheiro de qualidade pode usar essa distribuição para determinar quantas amostras de fio precisam ser testadas para garantir que o número de falhas em um lote atenda às especificações do cliente.

d. Determine quantos metros de fio precisam ser inspecionados para garantir que alguma falha seja encontrada em 95% das vezes.

Seja \(X\) o número de falhas em \(T\) metros de fio.

Temos que \(X \sim Poi(\lambda)\) com \(\lambda T = 2.3 \times T\).

A probabilidade de encontrar pelo menos uma falha é \(P(X \geq 1) = 0.95\):

\[P(X \geq 1) = 1 - P(X = 0) = 0.95\]

\[P(X = 0) = 1 - 0.95 = 0.05\]

\[P(X = 0) = \frac{e^{-2.3T}(2.3T)^0}{0!} = 0.05\]

\[0.05 = e^{-2.3T}\]

\[T = \frac{\ln(0.05)}{-2.3} \approx 1.30\]

Portanto, precisamos inspecionar em média 1.30 metros de fio para garantir que alguma falha seja encontrada em 95% das vezes.

Exemplo6.0.2 Exemplo - Dificuldade:

Gafanhotos distribuem-se aleatoriamente em um vasto campo de forma independente, a uma taxa média de \(2\) por metro quadrado. Qual é o tamanho do raio \(R\) de uma região amostral circular para que a probabilidade de se encontrar pelo menos um gafanhoto na região seja de \(0.99\)?


Solução:

Seja \(X\) o número de gafanhotos em uma região circular de raio \(R\). Ou seja, uma variável aleatória do tipo Poisson, com parâmetro \(\lambda = 2 \times T\), sendo \(T\) a área da região em metros quadrados.

A área do círculo é dada por \(T = \pi R^2\).

A probabilidade de se encontrar pelo menos um gafanhoto na região é \(P(X \geq 1) = 0.99\).

Sabemos que \(P(X \geq 1) = 1 - P(X = 0) = 0.99\), então:

\(P(X = 0) = 0.01\)

\(P(X = 0) = \frac{e^{-\lambda \pi R^2}(\lambda \pi R^2)^0}{0!} = e^{-\lambda \pi R^2} = e^{-2 \pi R^2} =0.01\)

\(2 \pi R^2 = -\ln(0.01) \approx 4.605\)

\(R = \sqrt{\frac{-\ln(0.01)}{2\pi}} \approx 0.855\) metros.

Ou seja, uma região circular de aproximadamente 85.5 cm de raio é necessária para garantir que pelo menos um gafanhoto seja encontrado em 99% das vezes.

Exemplo6.0.3 Exemplo - Dificuldade:

Uma banca de jornal faz o pedido de cinco cópias de uma edição de certa revista de fotografia.

Seja \(X\) o número de indivíduos que chegam para comprar a revista em um dia.

Se \(X\) tiver distribuição de Poisson com parâmetro \(\lambda = 4\), determine o número esperado de cópias vendidas?


Solução:

Seja \(X\) o número de indivíduos que chegam para comprar a revista em um dia.

Sabemos que \(X \sim Pois(\lambda=4)\).

O número esperado de indivíduos que chegam para comprar a revista é dado por:

\[E(X) = \lambda = 4\]

Porém, precisamos saber se teremos estoques suficientes para atender a demanda. Nesse sentido precisamos avaliar outra quantidade aleatória, como \(Y\) = número de cópias vendidas.

Seja \(n_0=5\) o número de cópias disponíveis na banca, e a demanda ocorre conforme uma distribuição de Poisson com parâmetro \(\lambda = 4\).

Figura 6: Distribuição de probabilidade Poisson com lambda =4

Assim temos, que se a demanda for \(X = 0\) então \(Y = 0\); se \(X = 1\) então \(Y = 1\); …; se \(X \geq 5\) então \(Y = 5\).

Ou seja a distribuição de \(Y\) varia de \(0\) até \(5\).

Para \(Y = 5\) temos a soma das probabilidades de \(P(X \geq 5)\).

\(P(X \geq 5) = \sum_{x=5}^{\infty} \frac{e^{-4} 4^x}{x!} = 0.371\).

Logo a distribuição de \(Y\) é dada por:

Figura 7: Distribuição de probabilidade do número de cópias vendidas em um dia

E o valor esperado de cópias vendidas é:

\[\begin{aligned} E(Y) &= \sum_{y=0}^{5} y \cdot p_Y(y) \\ &= (0)(0.018) + (1)(0.073) + (2)(0.147) + (3)(0.195) + (4)(0.195) + (5)(0.371)\\ &= 3.59 \end{aligned}\]
Exemplo6.0.4 Exemplo Dificuldade:

Em uma localidade específica de Goiânia-GO, durante a emergencia radioativa de 1987, partículas radioativas atingiram um contador Geiger de acordo com um processo de Poisson com uma taxa média de \(\lambda = 0.8\) partículas por segundo.

Qual é a probabilidade do contador Geiger detectar 3 ou mais partículas nos próximos 4 segundos? Qual é a probabilidade do contador Geiger detectar (exatamente) 1 partícula no próximo segundo e 3 ou mais nos próximos 4 segundos?


Solução:

O número de partículas chegando ao detector nos próximos 4 segundos, \(X\), segue uma distribuição de Poisson com parâmetro \(\lambda\) por segundo, ou seja, \(X \sim Pois(\lambda)\).

Portanto, o parâmetro da distribuição de Poisson para o intervalo de 4 segundos é \(\lambda = 0.8 \times 4 = 3.2\).

Portanto, a probabilidade de detectar 3 ou mais partículas é:

\[ P(X \ge 3) = \sum_{x=3}^{\infty} \frac{e^{-\lambda} \lambda^x}{x!} = 1 - P(X \le 2) = 1 - \sum_{x=0}^{2} \frac{e^{-3.2} (3.2)^x}{x!} \]

\[ P(X \ge 3) = 1 - e^{-3.2} \left( \frac{(3.2)^0}{0!} + \frac{(3.2)^1}{1!} + \frac{(3.2)^2}{2!} \right) \]

\[ P(X \ge 3) = 1 - 0.04076 \times (1 + 3.2 + 5.12) = 1 - 0.04076 \times 9.32 = 1 - 0.3799 \approx 0.6201 \]

b

A probabilidade conjunta, de uma particula ocorrer no intervalo (0, 1) e 3 ou mais particulas no intervalo (0, 4), envolve dois eventos que não são independentes. No entanto, podemos reescrever a probabilidade conjunta como: \[P(\text{1 particula em } (0, 1) \cap 3 \text{ ou mais particulas em } (0, 4)) = P(\text{1 particula em } (0, 1) \cap 2 \text{ ou mais particulas em } (1, 4))\]

Agora, os intervalos (0, 1) e (1, 4) são disjuntos, então o número de partículas que chegam em (0, 1) é independente do número de partículas que chegam em (1, 4). Portanto, pela propriedade 2 do processo de Poisson (17.1), a probabilidade conjunta é o produto das probabilidades individuais:

\[P(\text{1 particula em } (0, 1)) \cdot P(\text{2 ou mais particulas em } (1, 4))\]

Agora, sabemos pela propriedade 1 (17.1) que:

O número de partículas em (0, 1) segue uma distribuição de Poisson com parâmetro (= 0.8), e o número de partículas em (1, 4) segue uma distribuição de Poisson com parâmetro (= 2.4). Se representarmos as funções de probabilidade de massa dessas duas variáveis aleatórias por (f_1) e (f_2), respectivamente, então a probabilidade é:

\[p_X(1) \cdot (1 - p_Y(0) - p_Y(1)) = e^{-0.8} \cdot \frac{0.8^1}{1!} \cdot \left( 1 - e^{-2.4} \frac{2.4^0}{0!} - e^{-2.4} \frac{2.4^1}{1!} \right) \approx 0.2486 \]

7 Distribuição Hipergeométrica

A distribuição de probabilidade hipergeométrica também está relacionada à distribuição binomial. As duas distribuições de probabilidade diferem de duas maneiras principais.

Na distribuição hipergeométrica, as tentativas são dependentes e a probabilidade de sucesso muda a cada tentativa.

Exemplo de amostragem sem reposição: Suponha que a produção diária de \(N=850\) peças fabricadas contenha \(K=50\) peças que não atendem aos requisitos do cliente. Duas peças são selecionadas aleatoriamente, sem reposição, do lote. Seja a variável aleatória \(X\) igual ao número de peças não conformes na amostra. Qual é a probabilidade das duas peças selecionadas serem não conforme (\(P(X=2)\))?

\[P(X=2) = \frac{50}{850} \times \frac{49}{849} = 0.003\]

ou ainda, podemos usar as técnicas de contagem para resolver esse problema.

\[P(X=2) = \frac{\binom{50}{2}\binom{800}{0}}{\binom{850}{2}} = 0.003\]

Ambas as abordagens resultam no mesmo valor, mas a segunda abordagem é mais geral e pode ser usada para resolver problemas mais complexos.

Fundamentalmente temos um processo dependente, onde a probabilidade de sucesso muda a cada tentativa, diferente da abordagem binomial. Aqui também temos um número fixo de tentativas \(n\), mas a probabilidade de sucesso não é constante.

Podemos pensar em modelar as probabilidades de sucesso e fracasso em cada tentativa como:

\[P(X=x) = \frac{\binom{K}{x}\binom{N-K}{n-x}}{\binom{N}{n}}\]

Que pode ser visto como uma contagem, de \(x\) peças consideradas sucesso das \(K\) disponíveis e \(n-x\) peças consideradas fracasso das \(N-K\) disponíveis, sob o total de peças \(N\) combinadas na amostra de tamanho \(n\).

Na notação usual para a distribuição hipergeométrica, \(K\) denota o número de sucessos na população de tamanho \(N\), e \(N - K\) denota o número de fracassos na população.

A função de probabilidade hipergeométrica é usada para calcular a probabilidade de que em uma seleção aleatória de \(n\) elementos, selecionados sem reposição, obtenhamos \(x\) elementos rotulados como sucesso e \(n - x\) elementos rotulados como fracasso.

Para que esse resultado ocorra, devemos obter \(x\) sucessos dos \(K\) sucessos na população e \(n - x\) fracassos dos \(N - K\) fracassos. A seguinte função de probabilidade hipergeométrica fornece \(p_X(x)\), a probabilidade de obter \(x\) sucessos em \(n\) tentativas dependentes.

Note que:

  • \(\binom{N}{n}\) representa o número de maneiras de selecionar \(n\) elementos de uma população de tamanho \(N\);
  • \(\binom{K}{x}\) representa o número de maneiras de selecionar \(x\) sucessos de um total de \(K\) sucessos na população;
  • \(\binom{N-K}{n-x}\) representa o número de maneiras de selecionar \(n-x\) fracassos de um total de \(N-K\) fracassos na população.

A distribuição de probabilidade hipergeométrica é geralmente aplicável para valores de \(X = 0, 1, 2, . . ., n\). No entanto, apenas valores de \(x\) onde o número de sucessos observados é menor ou igual ao número de sucessos na população (\(x \leq K\)) e onde o número de fracassos observados é menor ou igual ao número de fracassos na população (\(n - x \leq N - K\)) são válidos. Se essas duas condições não forem satisfeitas para um ou mais valores de \(x\), o \(p_X(x)\) correspondente será \(0\), indicando que a probabilidade desse valor de \(x\) é zero.

Note que \(p = (K/N)\) é a probabilidade de um sucesso no primeiro ensaio.

Modelo Hipergeométrico

Notacao:

\(X \sim Hyp(N, K, n)\)

Premissas:

  • Tentativas dependentes
  • Probabilidade de sucesso variável
  • Número de sucessos \(K\) fixo
  • Número de tentativas \(n\) variável

Variavel aleatoria generalizada:

\(X\) = “Número de sucessos em uma amostra de tamanho \(n\).”

Função Massa de Probabilidade (PMF):

\[P(X = x) = \frac{\binom{K}{x}\binom{N-K}{n-x}}{\binom{N}{n}}\]

Valor Esperado e Variância

Valor Esperado:

\(E(X) = \frac{nK}{N} = np\)

Variância:

\(Var(X) = \frac{nK(N-K)(N-n)}{N^2(N-1)} = n p (1-p) \left( \frac{N-n}{N-1} \right)\)

Se o tamanho da população for grande (\(N \to \infty\)), o termo \((N - n)/(N - 1)\) se aproxima de 1. Como resultado, o valor esperado e a variância da distribuição hipergeométrica se aproximam dos valores esperados e da variância da distribuição binomial. Ou seja, quando o tamanho da população é grande, uma distribuição hipergeométrica pode ser aproximada por uma distribuição binomial com \(n\) tentativas e uma probabilidade de sucesso \(p = (K/N)\). Isso ocorre porque, quando \(N\) é grande, a remoção de alguns elementos da população tem um efeito insignificante sobre a probabilidade de sucesso nos ensaios subsequentes.

O fator \(\frac{N-n}{N-1}\), freqüentemente denominado fator de correção de população finita. Esse fator é menor do que 1, de forma que a variável hipergeométrica tem variância menor do que a binomial. O fator de correção pode ser escrito como \(\frac{1 - n/N}{1 - 1/N}\), que é aproximadamente 1 quando \(n\) é pequeno em relação a \(N\).

Exemplo7.0.1 Exemplo - Dificuldade:

Em uma pesquisa conduzida pela Gallup, os entrevistados foram perguntados: “Qual é o seu esporte favorito?” Futebol e basquete ficaram em primeiro e segundo lugar em termos de preferência (site da Gallup, 3 de janeiro de 2024). Suponha que em um grupo de 100 indivíduos, 70 prefiram futebol e 30 prefiram basquete. Uma amostra aleatória de 10 desses indivíduos é selecionada.

  1. Qual é a probabilidade de exatamente 6 preferirem futebol?
  2. Qual é a probabilidade de a maioria (6 ou mais) preferir futebol?

Solução:

a. Qual é a probabilidade de exatamente 6 preferirem futebol?

A variável aleatória que pode ser utilizada para resolver essa questão é:

\(X\) = “Número de indivíduos que preferem futebol na amostra de 10 indivíduos.”

Ou seja, uma variável aleatória hipergeométrica com parâmetros \(N=100\), \(K=70\) e \(n=10\), assim:

\(X \sim Hyp(N=100, K=70, n=10)\).

\[P(X=6) = \frac{\binom{70}{6}\binom{100-70}{10-6}}{\binom{100}{10}} = \frac{\binom{70}{6}\binom{30}{4}}{\binom{100}{10}} = 0.2075\]

b. Qual é a probabilidade de a maioria (6 ou mais) preferir futebol?

\[P(X \geq 6) = P(X=6) + P(X=7) + P(X=8) + P(X=9) + P(X=10)\]

ou utilizando a função de distribuição cumulativa (CDF):

\[P(X \geq 6) = 1 - P(X < 6) = 1 - P(X \leq 5) = 1 - 0.3459 = 0.6541\]

Exemplo7.0.2 Exemplo - Dificuldade:

A empresa BX fabrica explosivos de controle remoto. Um estudo recentemente efetuado em lotes de 20 explosivos, revelou que o número de explosivos defeituosos em cada lote segue a distribuição abaixo apresentada. Um lote é rejeitado se existir um ou mais explosivos com defeito entre três sorteados desse mesmo lote. A tabela abaixo apresenta a distribuição de probabilidade do número de explosivos defeituosos em cada lote.

\(y\) 0 1 2 3
\(p_Y(y)\) 0.25 0.48 0.25 0.02
  1. Qual o valor esperado e o desvio padrão do número de explosivos defeituosos nos lotes?

  2. Se um lote tiver 2 explosivos defeituosos, qual é a probabilidade de esse lote ser rejeitado?

  3. Sabendo que um lote foi aceito, qual é a probabilidade de esse lote ter exatamente um explosivo defeituoso?

  4. Qual o valor esperado do número de defeituosos nos lotes aceitos?


Solução:

a. Qual o valor esperado e o desvio padrão do número de explosivos defeituosos nos lotes?

A variável aleatória que pode ser utilizada para resolver essa questão é:

\(Y\) = “Número de explosivos defeituosos no lote.”

A variável aleatória segue um modelo empírico, apresentado na tabela.

\[\begin{aligned} E[Y] &= \sum_{y=0}^{3} y p_Y(y) \\ &= 0 \times 0.25 + 1 \times 0.48 + 2 \times 0.25 + 3 \times 0.02 \\ &= 0.48 + 0.50 + 0.06 = 1.04\\ V(Y) &= \sum_{y=0}^{3} (y - E[Y])^2 p_Y(y) \\ &= (0 - 1.04)^2 \times 0.25 + (1 - 1.04)^2 \times 0.48 + (2 - 1.04)^2 \times 0.25 + (3 - 1.04)^2 \times 0.02 \\ &= 1.0816 \times 0.25 + 0.0016 \times 0.48 + 0.9216 \times 0.25 + 3.8416 \times 0.02 \\ &= 0.2704 + 0.000768 + 0.2304 + 0.076832 = 0.5784\\ DP(Y) &= \sqrt{V(Y)} \\ &= \sqrt{0.5784} = 0.7605\\ \end{aligned}\]

Em média, os lotes apresentam \(1.04\) explosivos defeituosos, com um desvio padrão de \(0.7605\).

b. Se um lote tiver 2 explosivos defeituosos, qual é a probabilidade de esse lote ser rejeitado?

\[\begin{aligned} P(X \geq 1) &= p_X(1) + p_X(2)\\ \\ p_Y(y) &= \frac{\binom{K}{x}\binom{N-K}{n-x}}{\binom{N}{n}}\\ p_Y(1) &= \frac{\binom{2}{1}\binom{20-2}{3-1}}{\binom{20}{3}} = 0.2684211\\ p_Y(2) &= \frac{\binom{2}{2}\binom{20-2}{3-2}}{\binom{20}{3}} = 0.0157895\\ \\ P(Y \geq 1) &= 0.2684211 + 0.0157895 = 0.2842106\\ \end{aligned}\]

c. Sabendo que um lote foi aceito, qual é a probabilidade de esse lote ter exatamente um explosivo defeituoso?

\(A\) = {Lote foi aceito}

Note que um lote pode ser aceito, independentemente do número de explosivos defeituosos no lote (\(Y\)).

\[\begin{aligned} P(Y=1 | A) &= \frac{P(Y=1 \cap A)}{P(A)} \\ &= \frac{P(Y=1)P(A|Y=1)}{P(A)} \\ &= \frac{0.48 \cdot (0.85)}{P(A)}\\ \end{aligned}\]

Usando a regra da probabilidade total, podemos calcular a probabilidade do lote ser aceito, independentemente do número de explosivos defeituosos no lote (\(Y\)):

\[\begin{aligned} P(A) &= P(Y=0 \cap A) + P(Y=1 \cap A) + P(Y=2 \cap A) + P(Y=3 \cap A) \\ &= P(Y=0)P(A|Y=0) + P(Y=1)P(A|Y=1) + \\ & \quad P(Y=2)P(A|Y=2) + P(Y=3)P(A|Y=3) \\ \end{aligned}\]

Para facilitar o nosso processo, vamos criar uma variável aleatória que represente o número de explosivos defeituosos na amostra de tamanho \(n=3\).

\(W\) = “Número de explosivos defeituosos na amostra de tamanho n = 3 de um lote de N = 20 explosivos com Y defeituosos”. Sabemos que essa variável segue uma distribuição hipergeométrica, ou seja:

\(W \sim Hiper(N=20,K=y,n=3)\)

Note que \(K=y\) pois o número de explosivos defeituosos no lote é \(y\), e quando nestes lotes o número de explosivos defeituosos na amostra for \(0\), então o lote é aceito, dessa forma queremos calcular a probabilidade de \(W=0\), para os casos quando \(y=0,1,2,3\).

\[\begin{aligned} P(A|Y=0) \rightarrow P(W=0 |Y=0) &= \frac{\binom{0}{0}\binom{20-0}{3-0}}{\binom{20}{3}} = 1\\ P(A|Y=1) \rightarrow P(W=0 |Y=1) &= \frac{\binom{1}{0}\binom{20-1}{3-0}}{\binom{20}{3}} = 0.85\\ P(A|Y=2) \rightarrow P(W=0 |Y=2) &= \frac{\binom{2}{0}\binom{20-2}{3-0}}{\binom{20}{3}} = 0.7157895\\ P(A|Y=3) \rightarrow P(W=0 |Y=3) &= \frac{\binom{3}{0}\binom{20-3}{3-0}}{\binom{20}{3}} = 0.5964912\\ \end{aligned}\]

Assim, a probabilidade do lote ser aceito (\(P(A)\) ou \(P(W=0)\)), independentemente do número de explosivos defeituosos no lote (\(Y\)) é: \[ P(A) = 0.25(1) + 0.48(0.85) + 0.25(0.7157895) + 0.02(0.5964912) = 0.8488772 \]

Logo, a probabilidade do lote ter exatamente um explosivo defeituoso, sabendo que o lote foi aceito é:

\[\begin{aligned} P(Y=1 | A) &= \frac{P(Y=1 \cap A)}{P(A)} \\ &= \frac{P(Y=1)P(A|Y=1)}{P(A)} \\ &= \frac{0.48 \cdot (0.85)}{0.8488772} = 0.4806349\\ \end{aligned}\]

d. Qual o valor esperado do número de defeituosos nos lotes aceitos?

\(A\) = {Lote foi aceito}

\(Y\) = {Número de defeituosos no lote}

Um lote pode ser aceito quando ele possui \(y=0,1,2\) ou \(3\) defeituosos no lote de tamanho \(N = 20\).

Sendo assim, gostaríamos de saber:

\[\begin{aligned} E[Y|A] &= \sum{y|A \cdot p_{Y|A}(y|A)}\\ &= 0\cdot P(Y=0|A) + 1\cdot P(Y=1|A) +2\cdot P(Y=2|A) +3\cdot P(Y=3|A) \end{aligned}\] \[\begin{aligned} P(Y=0|A) &= \frac{P(Y=0 \cap A)}{P(A)} \\ &= \frac{P(Y=0)P(A|Y=0)}{P(A)} \\ &= \frac{0.25(1)}{0.8488772} = 0.2945\\ \\ P(Y=1|A) &= \frac{P(Y=1 \cap A)}{P(A)} \\ &= \frac{P(Y=1)P(A|Y=0)}{P(A)} \\ &= \frac{0.48(0.85)}{0.8488772} = 0.48067\\ \\ P(Y=2|A) &= \frac{P(Y=2 \cap A)}{P(A)} \\ &= \frac{P(Y=2)P(A|Y=0)}{P(A)} \\ &= \frac{0.25(0.7157895)}{0.8488772} = 0.21082\\ \\ P(Y=3|A) &= \frac{P(Y=3 \cap A)}{P(A)} \\ &= \frac{P(Y=3)P(A|Y=0)}{P(A)} \\ &= \frac{0.02(0.5964912)}{0.8488772} = 0.014055\\ \end{aligned}\] \[\begin{aligned} E[Y|A] &= \sum{y|A \cdot p_{Y|A}(y|A)}\\ &= 0\cdot P(Y=0|A) + 1\cdot P(Y=1|A) +2\cdot P(Y=2|A) +3\cdot P(Y=3|A)\\ &= 0\cdot (0.2945) + 1\cdot (0.48067) +2\cdot (0.21082) +3\cdot (0.014055)\\ &= 0.9592 \end{aligned}\]